Caso Goleiro Bruno
 
 

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 Suposta amante de Bruno nega ter visto Eliza em motel ou sítio
20 de julho de 2010 20h48 atualizado em 21 de julho de 2010 às 08h18

Fernanda Gomes Castro deixa o Departamento de Investigações . Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Fernanda Gomes Castro deixa o Departamento de Investigações
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

Segundo o advogado Ércio Quaresma, que acompanhou Fernanda Gomes Castro, suposta amante do goleiro Bruno, em seu depoimento no Departamento de Investigações nesta terça-feira, ela negou que tenha visto Eliza Samudio quando esteve com o atleta em Minas Gerais, no início de junho. Ela disse à Polícia Civil que viajou com Bruno e esteve com ele em um motel de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ela, porém, o casal não teve companhia no local.

Na sexta-feira, a delegada Alessandra Wilke (afastada do caso no início da semana por conta do vazamento de um vídeo com falas de Bruno) afirmou que o goleiro Bruno esteve em um motel de Contagem acompanhado da ex-amante Eliza Samudio, do bebê que seria filho dos dois, de Luiz Henrique Romão (o Macarrão, suspeito de participar do desaparecimento de Eliza), de Fernanda e do adolescente de 17 anos (primo de Bruno que delatou à polícia a suposta execução de Eliza). Ele pagou a conta, de R$ 431,90, com o cartão de débito.

O depoimento de Fernanda durou pouco mais de quatro horas e meia e, segundo o advogado, foi apenas para prestar esclarecimentos, ela não respondeu a perguntas. "Ela não falou nada que não tenha presenciado", disse. De acordo com o advogado, Fernanda contou que, no Rio de Janeiro, esteve na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, e, a pedido de Macarrão, cuidou do filho de Eliza por um dia e meio.

Ela e Bruno teriam ido juntos para Minas e pernoitado no motel. No dia seguinte, foram ao sítio do jogador em Esmeraldas (MG) e assistiram a uma partida do time de futebol 100%, patrocinado pelo goleiro. Fernanda teria voltado para o Rio de Janeiro acompanhada de Macarrão e negou ter qualquer contato com Eliza Samudio durante a viagem a Minas.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra