Fernanda Gomes Castro deixa o Departamento de Investigações
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra
- Ney Rubens
- Direto de Belo Horizonte
Segundo o advogado Ércio Quaresma, que acompanhou Fernanda Gomes Castro, suposta amante do goleiro Bruno, em seu depoimento no Departamento de Investigações nesta terça-feira, ela negou que tenha visto Eliza Samudio quando esteve com o atleta em Minas Gerais, no início de junho. Ela disse à Polícia Civil que viajou com Bruno e esteve com ele em um motel de Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo ela, porém, o casal não teve companhia no local.
Na sexta-feira, a delegada Alessandra Wilke (afastada do caso no início da semana por conta do vazamento de um vídeo com falas de Bruno) afirmou que o goleiro Bruno esteve em um motel de Contagem acompanhado da ex-amante Eliza Samudio, do bebê que seria filho dos dois, de Luiz Henrique Romão (o Macarrão, suspeito de participar do desaparecimento de Eliza), de Fernanda e do adolescente de 17 anos (primo de Bruno que delatou à polícia a suposta execução de Eliza). Ele pagou a conta, de R$ 431,90, com o cartão de débito.
O depoimento de Fernanda durou pouco mais de quatro horas e meia e, segundo o advogado, foi apenas para prestar esclarecimentos, ela não respondeu a perguntas. "Ela não falou nada que não tenha presenciado", disse. De acordo com o advogado, Fernanda contou que, no Rio de Janeiro, esteve na casa de Bruno, no Recreio dos Bandeirantes, e, a pedido de Macarrão, cuidou do filho de Eliza por um dia e meio.
Ela e Bruno teriam ido juntos para Minas e pernoitado no motel. No dia seguinte, foram ao sítio do jogador em Esmeraldas (MG) e assistiram a uma partida do time de futebol 100%, patrocinado pelo goleiro. Fernanda teria voltado para o Rio de Janeiro acompanhada de Macarrão e negou ter qualquer contato com Eliza Samudio durante a viagem a Minas.
O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayanne Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.
No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.
- Especial para Terra




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