Policiais fazem guarda em frente à Delegacia de Homicídios, na Barra da Tijuca, no Rio
Foto: Urbano Erbiste/Jornal do Brasil
- Rodrigo Teixeira
- Direto do Rio de Janeiro
O delegado Felipe Ettore, da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro, disse, nesta quarta-feira, que o goleiro Bruno, do Flamengo, foi indiciado pelo sequestro da estudante Eliza Samudio, desaparecida desde o dia 4 de junho. "Nos temos indícios que nos confirmam isso", disse o delegado, com base em informações prestadas à polícia pelo adolescente de 17 anos, primo de Bruno, apreendido na casa do atleta, nessa terça-feira.
Nesta quarta foi decretada a prisão preventiva do goleiro e de seu amigo Macarrão, depois que o Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa ouviu o depoimento do adolescente. Ele teria confirmado que deu uma coronhada em Eliza, que estava com o bebê de 4 meses, no veículo, no dia 5 de junho. Ele e Macarrão teriam buscado Eliza em um hotel na Barra, no Rio, e a levado para Minas Gerais.
No caso de sequestro, o acusado pode ser indiciado antes mesmo da conclusão das investigações. De acordo como delegado Bruno ainda deve ser ouvido pela delegacia do Rio. O suposto homicídio de Eliza, será investigado Polícia de Minas Gerais.
"Os dois (Macarrão e o adolescente) pegaram a menina a mando do Bruno", afirmou o delegado. "Só o avanço das investigações vai dizer se o sequestro foi para matar a jovem", afirmou. De acordo com o policial, Eliza foi levada para Minas Gerais, onde foi estrangulada e morta. "A vítima foi arrebatada e teve sua liberdade cerceada. Bruno se aproveitou disso".
A apreensão do adolescente ocorreu depois que a polícia recebeu uma denúncia de um tio do menor para uma rádio, dizendo que ele estava escondido na casa de Bruno, no Recreio. Ao ouvir o relato, a polícia de Minas entrou em contato imediatamente com a Delegacia de Homicídios, que conseguiu apreender o menor.
De acordo com o tio, a jovem teria sido enganada por Macarrão e levada para um "passeio de carro". O adolescente estaria escondido no banco de trás do Land Rover do atleta.
Bruno se apresentou por volta das 17h, desta quarta-feira, na Polinter do Andaraí, na zona norte do Rio de Janeiro. O delegado Felipe Ettore afirmou que vai ao encontro do jogador para levá-lo à Divisão de Homicídios (DH), onde ele deve prestar depoimento ainda hoje. Segundo o delegado, Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, amigo de Bruno, também se apresentou na Polinter.
Eles serão removidos para fazer exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) e depois, encaminhados à DH. Bruno chegou acompanhado do advogado Michel Assef Filho, do chefe do Setor de Investigações da Polinter, e da delegada Alessandra Wilke, da Delegacia de Homicídios de Contagem, responsável pelo inquérito do desaparecimento de Eliza Samudio, 25 anos, com quem teria um bebê de 4 meses.
O caso
Eliza está desaparecida desde o dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a teria agredido para que ela tomasse remédios abortivos para interromper a gravidez. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para provar a suposta paternidade de Bruno.
No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza teria sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade.
Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estaria lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante o depoimento dos funcionários do sítio, um dos amigos de Bruno afirmou que ela havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.
O goleiro do Flamengo e a mulher negam as acusações de que estariam envolvidos no desaparecimento de Eliza e alegam que ela abandonou a criança.
- Redação Terra




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