Caso Bruno

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21 de novembro de 2012 • 12h34 • atualizado às 17h05

Julgamento do goleiro Bruno é adiado para março de 2013

Bruno deixando o fórum após uma nova data ser estipulada para o julgamento
Foto: Maurício de Souza / Futura Press
 

O julgamento do goleiro Bruno Fernandes, ex-capitão do Flamengo, por sua suposta responsabilidade no assassinato de uma modelo com a qual teve um filho, foi adiado até março do próximo ano, depois de o jogador pedir a substituição de seu advogado.

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A juíza Marixa Rodrigues, do Tribunal de Justiça de Contagem, aceitou o pedido do novo advogado do goleiro para que o julgamento, que começou na segunda-feira, seja desmembrado e para que as acusações contra seu cliente sejam avaliadas em outro momento.

O advogado Lúcio Adolfo da Silva, que foi apresentado por Bruno como seu novo defensor no terceiro dia do julgamento, alegou que desconhecia o caso e que necessitava de um prazo para preparar a defesa de seu cliente. O goleiro é acusado dos crimes de homicídio qualificado, sequestro, encarceramento privado e ocultação de cadáver da modelo Eliza Samudio, desaparecida desde 2010, quando tinha 25 anos.

A juíza, que na terça-feira já tinha negado uma substituição de advogado por considerar que se tratava de uma manobra do jogador para prejudicar o julgamento, aceitou o pedido e reprogramou o julgamento para 4 de março, com um novo júri.

O atual processo, com os sete jurados já selecionados, prosseguirá contra os outros dois acusados que estavam com Bruno no banco dos réus, Luiz Henrique Ferreira Romão, conhecido como Macarrão, amigo do jogador e acusado de ter comandado o sequestro da vítima, e Fernanda Gomes, ex-namorada de Bruno, que é acusada por ser cúmplice no sequestro de Eliza e ter ajudado a cuidar do filho da modelo antes e após o seu desaparecimento.

Após a decisão do tribunal de desmembrar o processo, Bruno será julgado em março junto a outros dois acusados: o ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, e Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime.

Marcos Aparecido dos Santos e Dayene Rodrigues do Carmo também começaram a ser julgados na segunda-feira, mas também pediram substituição de seus advogados. Bruno, que até meados de 2010 foi goleiro, capitão e um dos ídolos do Flamengo, já foi condenado em outra ocasião por responsabilidade na retenção ilegal e lesão corporal de Eliza Samudio, de quem era amante e com quem teve um filho.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores. No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, macarrão, Dayanne e Fernanda.

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