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Começa segundo dia de julgamento do Caso Bruno

20 nov 2012
10h23
atualizado às 10h32

Cristina Christiano
Direto de Contagem

Seis mulheres e um homem vão decidir o futuro do ex-goleiro Bruno e de mais três réus acusados de envolvimento no sequestro e morte da modelo Eliza Samudio, em junho de 2010. O segundo dia do julgamento, no Fórum de Contagem, em Minas Gerais, prometia mais reviravoltas.

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Ontem, o júri do ex-PM Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, foi desmembrado porque seus advogados abandonaram o tribunal, alegando pouco tempo para defendê-lo. O réu não aceitou um defensor público. Por causa disso, a defesa de Bola foi multada em em 30 salários mínimos, ou R$ 18.660,00.

Além de Bruno estão no banco dos réus seu amigo de infância Luiz Henrique Romão, o Macarrão, Dayanne Rodrigues Souza, ex-mulher do goleiro, e Fernanda Gomes de Castro, ex-namorada. O julgamento era aguardado com expectativa nos meios jurídicos porque o conselho de sentença terá de dar o veredicto em cima de indícios de crime, uma vez que não existe a materialidade, ou seja, o corpo da vítima não foi encontrado.

Por causa disso, criminalistas acreditam na absolvição do goleiro. "O fato de o corpo não ter sido encontrado não significa que Eliza não morreu, mas os indícios de envolvimento dos réus precisam ser convincentes para os jurados os condenarem", diz o advogado Mário de Oliveira Filho. "Os jurados não vão acreditar que Eliza está viva porque uma mãe nunca abandona o filho pequeno. Porém, o conjunto de indícios é duvidoso e, na dúvida, o júri absolve", completa o criminalista Mauro Octávio Nacif. "Tudo pode acontecer porque não há provas diretas contra os réus. Será um júri difícil por se tratar de um tema bastante complexo", acredita o professor Luiz Flávio Gomes.

O caso Bruno
Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010 quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano anterior, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, então com 4 meses, estava lá. A então mulher do goleiro, Dayanne Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em dois depoimentos, admitiu participação no crime. Segundo a polícia, o jovem de 17 anos relatou que a ex-amante de Bruno foi levada do Rio para Minas, mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. Todos negam participação e se recusaram a prestar depoimento à polícia, decidindo falar apenas em juízo.

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. Além dos oito que foram presos inicialmente, a investigação apontou a participação de uma namorada do goleiro, Fernanda Gomes Castro, que também foi indiciada e detida. O Ministério Público concordou com o relatório policial e ofereceu denúncia à Justiça, que aceitou e tornou réus todos os envolvidos. O jovem de 17 anos, embora tenha negado em depoimentos posteriores ter visto a morte de Eliza, foi condenado no dia 9 de agosto pela participação no crime e cumprirá medida socioeducativa de internação por prazo indeterminado.

No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão por cárcere privado, lesão corporal e constrangimento ilegal, e seu amigo, três anos de reclusão por cárcere privado. Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson também irão a júri popular, mas por sequestro e cárcere privado. Além disso, a juíza decidiu pela revogação da prisão preventiva dos quatro. Flávio, que já havia sido libertado após ser excluído do pedido de MP para levar os réus a júri popular, foi absolvido. Além disso, nenhum deles responderá pelo crime de corrupção de menores. No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, macarrão, Dayanne e Fernanda.

O ex-goleiro do Flamengo calçava chinelos e vestia o uniforme do presídio Nelson Hungria
O ex-goleiro do Flamengo calçava chinelos e vestia o uniforme do presídio Nelson Hungria
Foto: Ney Rubens / Especial para Terra
Fonte: Diário de S. Paulo

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