publicidade
13 de julho de 2010 • 17h03 • atualizado às 19h25

Caso Bruno: adolescente presta depoimento em MG

O goleiro Bruno é suspeito no caso do desaparecimento da ex-amante
Foto: Severino Silva / O Dia
 
Ney Rubens
Direto de Belo Horizonte

O adolescente de 17 anos que confessou participação no sequestro da ex-amante do goleiro Bruno, Eliza Samudio, presta depoimento em Contagem (MG) desde por volta de 16h30. Ele foi ouvido pelo promotor Leonardo Barreto Alves, da Vara da Infancia e Juventude da cidade. Agora ele fala para o juiz Elias Chabil Abdul, titular Juizado da Infância e Juventude de Contagem.

O defensor público José Roberto Cordoval Jr. foi designado para acompanhar o adolescente. Após o depoimento, o menor, que foi encontrado na casa de Bruno, será internado no Centro de Internação Provisória do bairro Horto, em Belo Horizonte.

A transferência do adolescente foi realizada por agentes socioeducativos do Rio, onde ele estava apreendido, após autorização da Justiça concedida na segunda-feira. Ele foi entregue primeiro em uma unidade prisional, o Centro de Internação Provisória do bairro Horto, em Belo Horizonte, e depois levado por policiais militares mineiros para Contagem.

Ontem, em depoimento à Promotoria da Infância e da Juventude carioca, o jovem mudou algumas das informações dadas na primeira vez que falou à polícia. Ele disse que o atleta foi ao sítio em Esmeraldas (MG) no mesmo dia em que Eliza foi levada para lá - dois dias após ter sido sequestrada. Na primeira vez que foi ouvido, o adolescente havia dito que Bruno chegou ao sítio um dia depois de Eliza e teria ficado apenas duas horas no local.

O caso
Eliza desapareceu no dia 4 de junho, quando teria saído do Rio de Janeiro para Minas Gerais a convite de Bruno. No ano passado, a estudante paranaense já havia procurado a polícia para dizer que estava grávida do goleiro e que ele a agrediu para que ela tomasse remédios abortivos. Após o nascimento da criança, Eliza acionou a Justiça para pedir o reconhecimento da paternidade de Bruno.

No dia 24 de junho, a polícia recebeu denúncias anônimas dizendo que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. Durante a investigação, testemunhas confirmaram à polícia que viram Eliza, o filho e Bruno na propriedade. Na noite do dia 25 de junho, a polícia foi ao local e recebeu a informação de que o bebê apontado como filho do atleta, de 4 meses, estava lá. A atual mulher do goleiro, Dayane Rodrigues do Carmo Souza, negou a presença da criança na propriedade. No entanto, durante depoimento, um dos amigos de Bruno afirmou que havia entregado o menino na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves, onde foi encontrado. Por ter mentido à polícia, Dayane Souza foi presa. Contudo, após conseguir um alvará, foi colocada em liberdade. O bebê foi entregue ao avô materno.

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza seguindo denúncias anônimas, em entrevista a uma rádio no dia 6 de julho, um motorista de ônibus disse que seu sobrinho participou do crime e contou em detalhes como Eliza foi assassinada. O menor citado pelo motorista foi apreendido na casa de Bruno no Rio. Ele é primo do goleiro e, em depoimento, admitiu participação no crime. Segundo o delegado-geral do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, Edson Moreira, o menor apreendido relatou que o ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola ou Neném, estrangulou Eliza até a morte e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. Segundo o delegado, no dia do crime, o goleiro saiu do sítio com Eliza e voltou sem ela, o que indicaria que o goleiro presenciou a ação.

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Os três negam participação no desaparecimento. A versão do goleiro e da mulher é de que Eliza abandonou o filho. No dia 8, a avó materna obteve a guarda judicial da criança.

Especial para Terra