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Bruno derrubará 'todas as máscaras' sobre morte de Eliza, diz defesa

O depoimento do ex-goleiro do Flamengo, acusado de sequestrar e matar a ex-amante, foi adiado para quarta-feira

5 mar 2013
14h00
atualizado às 14h09
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O goleiro Bruno Fernandes só deve depor na quarta-feira, no Fórum de Contagem (MG), onde é julgado pelo desaparecimento de Eliza Samudio junto com a ex-mulher, Dayanne do Carmo. O advogado Tiago Lenoir, um dos defensores do ex-jogador do Flamengo, afirmou que Bruno terá que "abrir o coração e deixar cair todas as máscaras" durante seu interrogatório. "Podem esperar, que ele vai contar a verdade. Bruno está disposto a contribuir. Acredito que ele vai explanar bastante coisa que não foi dita até hoje", disse.

<p>O goleiro Bruno e a ex-mulher, Dayanne, são julgados pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio</p>
O goleiro Bruno e a ex-mulher, Dayanne, são julgados pelo desaparecimento e morte de Eliza Samudio
Foto: Renata Caldeira/TJ-MG / Divulgação

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A juíza Marixa Fabiane indicou que o depoimento de Bruno fosse realizado amanhã porque pretende utilizar a tarde desta terça-feira para fazer as leituras das peças da acusação e da defesa, além da carta-precatório do depoimento de uma testemunha. De acordo com o advogado Cidnei Karpinski, assistente da acusação, Dayanne - acusada de sequestro e cárcere privado da vítima - deve ser ouvida ainda hoje.Por ora, uma possível confissão do crime está descartada - ao menos, é o que garante Lenoir. Segundo ele, não há provas que incriminem Bruno, e qualquer negociação para que o réu assuma a culpa para ter a pena abreviada está fora de cogitação. "O processo penal não é um balcão de negócios", afirmou.

É possível que Bruno só responda a perguntas dos advogados de sua defesa, ignorando os questionamentos da acusação. Essa estratégia ainda está sendo avaliada, disse Lenoir. "Quem não deve, não teme. Ele vai responder. Mas a acusação faz as perguntas para incriminá-lo. Estamos acertando isso", afirmou.

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

Conheça as acusações e penas máximas possíveis contra os réus

Réu Acusações Pena máxima
Bruno Homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio 41 anos
Dayanne Sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio 5 anos
 

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para 4 de março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013. 

Fonte: Terra
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