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Acusação aposta em confissão de Bruno sobre morte de Eliza; defesa nega

O goleiro, acusado de sequestrar e matar a ex-amante Eliza Samudio, deve depor em júri ainda nesta terça-feira

5 mar 2013
10h50
atualizado às 12h58
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O goleiro Bruno Fernandes deve depor ainda nesta terça-feira, no segundo dia de seu julgamento pelo sequestro e homicídio de Eliza Samudio, no Fórum de Contagem (MG). A expectativa é que o goleiro confesse algo relacionado ao desaparecimento da modelo, ex-amante dele. Os advogados de defesa e a noiva de Bruno, Ingrid dos Santos, negaram a confecção de um acordo para a confissão e a consequente redução da pena do réu - porém, a acusação informou que há conversas em curso para que o atleta fale o que sabe.

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O advogado Lúcio Adolfo, da defesa de Bruno, durante a sessão de segunda-feira, primeiro dia do julgamento
Foto: Marcelo Albert / TJMG / Divulgação

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"Acredito numa confissão. O encaminhamento do processo tem sido nesse sentido, com a dispensa das testemunhas de defesa. Houve uma conversa breve ontem. Não se trata de um acordo, mas de um aconselhamento", afirmou o assistente da acusação, o advogado Cidnei Karpinski. Ele ponderou que, quanto mais detalhes Bruno passar a respeito da morte de Eliza Samudio, a possibilidade de redução de pena aumentará gradualmente.

Karpinski ressaltou que o ex-jogador do Flamengo teria que "assumir responsabilidades" e especificar sua participação e de terceiros no crime. "Ele deve ser ouvido hoje. Será a oportunidade dele. Se ele deixar essa chance passar, ele vai pegar uma pena provável acima de 24 anos de prisão", disse.

A defesa de Bruno desconversou sobre a possibilidade de confissão. O advogado Lúcio Adolfo negou que haja qualquer negociação em andamento e desmentiu Karspinski. "Ouvi falar que eu tinha feito proposta. Não tem nada disso. Conversei com ele (Karpinski), mas a única possibilidade que dei a ele foi de ouvi-lo. Mas não houve nenhuma conversa nesse sentido."

A noiva de Bruno, Ingrid Calheiros Oliveira, seguiu a mesma linha e negou que Bruno vá confessar participação no crime. Ela disse estar confiante de que Bruno prove a inocência perante o júri. "Não há possibilidade de ele confessar nada."

O caso Bruno
Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após ter saído do Rio de Janeiro para ir a Minas Gerais a convite de Bruno. Vinte dias depois a polícia recebeu denúncias anônimas de que Eliza havia sido espancada por Bruno e dois amigos dele até a morte no sítio de propriedade do jogador, localizado em Esmeraldas, na Grande Belo Horizonte. O filho de Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues. O menino foi achado posteriormente na casa de uma adolescente no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves.

Conheça as acusações e penas máximas possíveis contra os réus

Réu Acusações Pena máxima
Bruno Homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio 41 anos
Dayanne Sequestro e cárcere privado do filho de Eliza Samudio 5 anos
 

Enquanto a polícia fazia buscas ao corpo de Eliza, um motorista de ônibus denunciou o primo do goleiro como participante do crime. Apreendido, jovem de 17 anos relatou à polícia que a ex-amante de Bruno foi mantida em cativeiro e executada pelo ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, que a estrangulou e esquartejou seu corpo. Ainda segundo o relato, o ex-policial jogou os restos mortais para seus cães. 

No dia seguinte, a mulher de Bruno foi presa. Após serem considerados foragidos, o goleiro e seu amigo Luiz Henrique Romão, o Macarrão, acusado de participar do crime, se entregaram à polícia. Pouco depois, Flávio Caetano de Araújo, Wemerson Marques de Souza, o Coxinha Elenilson Vitor da Silva e Sérgio Rosa Sales, outro primo de Bruno, também foram presos por envolvimento no crime. 

No dia 30 de julho, a Polícia de Minas Gerais indiciou todos pelo sequestro e morte de Eliza, sendo que Bruno foi apontado como mandante e executor do crime. No início de dezembro, Bruno e Macarrão foram condenados pelo sequestro e agressão a Eliza, em outubro de 2009, pela Justiça do Rio. O goleiro pegou quatro anos e seis meses de prisão. 

Em 17 de dezembro, a Justiça mineira decidiu que Bruno, Macarrão, Sérgio Rosa Sales e Bola seriam levados a júri popular por homicídio triplamente qualificado, sendo que o último responderá também por ocultação de cadáver. Dayanne, Fernanda, Elenilson e Wemerson responderiam por sequestro e cárcere privado. 

No dia 19 de novembro de 2012, foi dado início ao julgamento de Bruno, Bola, Macarrão, Dayanne e Fernanda. Dois dias depois, após mudanças na defesa do goleiro, o tribunal decidiu desmembrar o processo.  O júri condenou Macarrão, a 15 anos de prisão, e Fernanda Gomes de Castro, a cinco anos. O julgamento de Bruno e de Dayane Rodrigues do Carmo, ex-mulher do goleiro e acusada de ser cúmplice no crime, foi remarcado para 4 de março de 2013. O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, que é acusado como autor do homicídio, teve o júri marcado para abril de 2013. 

Fonte: Terra
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