Polícia

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16 de outubro de 2009 • 18h40 • atualizado às 19h18

Brasileiro que se diz do PCC de Portugal é condenado por morte

 

O mineiro Edivaldo Rodrigues, 21 anos, foi condenado nesta sexta-feira em Portugal a 20 anos de prisão por roubo e assassinato, um ano e um mês depois de cometer os crimes. Ele foi considerado culpado de ter assaltado a joalheria Joias Bocage, na cidade de Setúbal, e de ter disparado tiros que mataram o dono da loja. Além da condenação, a sentença obriga Rodrigues a pagar 85 mil euros (cerca de R$ 216 mil) à família do proprietário da loja.

Durante o julgamento, o brasileiro admitiu que participou do assalto, mas afirmou que o autor dos tiros que mataram o lojista foi o também mineiro Danilo Rosa de Oliveira Filho, que declarou ser seu cúmplice no crime. Danilo, também de 21 anos, não foi encontrado pela polícia, que acredita que ele teria fugido para o Brasil. Os dois moravam no Bairro da Fonte Nova, em Setúbal, 45 km ao sul de Lisboa.

A juíza deu uma pena considerada alta porque, no primeiro interrogatório em frente a um juiz, Rodrigues teria afirmado que foi ele quem deu os tiros que mataram o ourives, mudando depois o depoimento quando a polícia portuguesa não conseguiu prender Danilo. Em Portugal, a pena máxima é de 25 anos de prisão.

Em janeiro de 2008, Rodrigues teria apedrejado um carro da polícia junto com alguns amigos. Na ocasião, ele foi detido e recebeu ordem de expulsão de Portugal.

PCC
Na página do site de relacionamentos Orkut criada por pelo condenado, ele dizia integrar o Primeiro Comando Português, criado à imagem do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e indicava os nomes e apelidos dos 12 chefes da suposta facção criminosa em Portugal. Como suposta prova dos crimes, ele publicou fotos de celulares que teriam sido roubados pelos criminosos.

Com base na página da internet, o jornal português Correio da Manhã publicou em setembro do ano passado uma matéria de quatro páginas com o título "Máfia das favelas chega a Portugal". O texto gerou pânico em Portugal, por afirmar que muitos jovens imigrantes brasileiros que não conseguiam emprego acabavam na criminalidade. Muitos brasileiros passaram a ser vistos como criminosos somente por causa do sotaque.

A matéria teve repercussão não apenas em Portugal. Foi com base nela que o Departamento de Estado dos Estados Unidos colocou uma observação sobre Portugal no seu relatório de 2009 sobre criminalidade internacional. No entanto, a Polícia Judiciária portuguesa afirma que não há nenhum indício da existência do Primeiro Comando Português.

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