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Beltrame: UPP não existe para por fim a tráfico de drogas

14 out 2012
14h40
atualizado às 15h00

Marcus Vinicius Pinto
Direto do Rio de Janeiro

Embora a região do Jacarezinho e do complexo de Manguinhos abrigue a maior cracolândia do Rio de Janeiro, ainda não há um plano montado para o combate ao uso da droga naquela região. Após a ocupação deste domingo, o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, admitiu que o crack é um problema "importante", mas que envolve outras secretarias em níveis federal, estadual e municipal. "A polícia tem que fazer seu trabalho, mas não podemos esquecer que a pessoa dependente não tem que ser detida, mas acolhida", afirmou, sem precisar o que será feito caso os viciados recolhidos durante a invasão retornem ao local.

Sobre os problemas enfrentados pelos homens das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em outros locais, como o morro do Fogueteiro e o morro dos Macacos, onde o tráfico ainda resiste, Beltrame disse que a UPP não existe para acabar com o tráfico de drogas. "Tráfico de drogas existe em qualquer lugar do mundo. O importante é a polícia estar no local e poder dar uma resposta a esses problemas e garantir a paz das pessoas" disse. "Se um traficante hoje é preso dentro da Rocinha é porque a polícia pode estar lá, coisa que antigamente não era possível."

O secretário lamentou que o Rio tenha ilhas de violência no coração da cidade. Beltrame afirmou que o domínio do tráfico em locais como o complexo de Manguinhos impedia a liberdade de ir e vir das pessoas em locais importantes como Linha Amarela e Linha Vermelha. "Não se pode acabar com essa violência de forma mágica. É preciso um trabalho grande, demorado, de reunir efetivos e, se olharmos para trás, podemos ver o quanto já avançamos."

Durante a operação deste domingo, a Secretaria de Assistência Social do Rio recolheu 104 pessoas das ruas dos locais ocupados. Muitos eram usuários de crack. Todas essas pessoas foram levadas para abrigos da prefeitura.

O trabalho de acolhimento foi realizado por 70 funcionários da prefeitura, entre assistentes e educadores sociais, além de psicólogos. Para a ação, profissionais de seis centros de assistência foram mobilizados. Segundo a secretária de Assistência Social, Fátima Nascimento, a entrada do poder público facilitará em muito a atuação do serviço social na região. "Nos próximos dias também faremos ações em áreas já mapeadas, para onde os usuários de drogas poderão migrar", afirma.

Fonte: Terra

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