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Após ser transferido, Nem presta depoimento hoje no TJ do Rio

10 mai 2012
09h42
atualizado às 09h44

O traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem da Rocinha, deve prestar depoimento na tarde desta quinta-feira no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Ele será ouvido no processo em que é réu por tráfico de drogas e porte ilegal de armas.

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Nem foi transferido do presídio de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, para Bangu I, na zona oeste do Rio, na tarde de quarta-feira. Ele chegou no aeroporto Santos Dumont por volta das 14h30, escoltado por agentes da Polícia Federal, e foi levado de helicóptero para o presídio de Bangu.

No dia 19 de novembro do ano passado, Nem foi transferido do presídio de Bangu I para Campo Grande, com outros três traficantes: Flávio Melo dos Santos, Carré e Coelho.

Nem e a tomada da Rocinha
O chefe do tráfico da favela da Rocinha, Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, foi preso pelo Batalhão de Choque da Polícia Militar no início da madrugada de 10 de novembro. Um dos líderes mais importantes da facção criminosa Amigos dos Amigos (ADA), ele estava escondido no porta-malas de um carro parado em uma blitz por estar com a suspensão baixa, em uma das saídas da maior favela da América Latina -, que havia sido cercada por policiais na noite do dia 8 de novembro.

Desde o dia anterior, a polícia já investigava denúncias de um possível plano para retirar o traficante da Rocinha. Além de Nem, três homens estavam no carro. Um se identificou como cônsul do Congo, o outro como funcionário do cônsul, e um terceiro como advogado - a embaixada da República do Congo, entretanto, informou não ter consulados no Rio. Os PMs pediram para revistar o carro, mas o trio se negou, alegando imunidade diplomática. Os agentes decidiram, então, escoltar o veículo até a sede da Polícia Federal. No caminho, porém, os ocupantes pediram para parar o carro e ofereceram R$ 1 milhão para serem liberados. Neste momento, os PMs abriram o porta-malas e encontraram Nem, que se escondia com R$ 59,9 mil e 50,5 mil euros em dinheiro.

Nem estava no comando do tráfico da Rocinha e do Vidigal, em São Conrado, junto de João Rafael da Silva, o Joca, desde outubro de 2005, quando substituiu o traficante Bem-te-vi, que foi morto. Com 35 anos, dez de crime e cinco como o chefe das bocas de fumo mais rentáveis da cidade, ele tinha nove mandados de prisão por tráfico de drogas, homicídio e lavagem de dinheiro. Nem possuía um arsenal de pelo menos 150 fuzis, adquiridos por meio da venda de maconha, cocaína e ecstasy, sendo a última a única droga consumida por ele. Com isso, movimentaria cerca de R$ 3 milhões por mês, graças à existência de refinarias de cocaína dentro da favela.

O fim do domínio de Nem na Rocinha foi o último obstáculo à entrada das forças de segurança na favela para a instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Na madrugada do dia 13 de novembro, agentes das polícias Civil, Militar e Federal, além de homens das Forças Armadas, iniciaram a ocupação do local escoltados por um forte aparato. No entanto, os traficantes já haviam deixado a comunidade, e a operação foi concluída sem qualquer confronto.

Nem foi preso no início da madrugada de 10 de novembro de 2011
Nem foi preso no início da madrugada de 10 de novembro de 2011
Foto: AP
Jornal do Brasil Jornal do Brasil
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