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Agressivo, Matemático comandava facção com mão de ferro

12 mai 2012
15h23
Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

"Era um traficante escamado". A gíria usada pelo subchefe operacional da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, descreve um pouco da personalidade de Márcio José Sabino Pereira, o Matemático. Morto na madrugada deste sábado em tiroteio com a polícia, o criminoso era chefe da facção Terceiro Comando Puro (TCP), e, por isso, considerado um dos traficantes mais procurados da cidade. A recompensa por informações que levassem à sua captura valia R$ 10 mil.

Escamado, na gíria policial, indica que Matemático era um bandido agressivo, arisco, rude e despeitado. As polícias Federal e Civil monitoravam os passos dele havia cinco meses. Em pelo menos dois momentos uma ação igual a desta madrugada esteve prestes a ser deflagrada para tentar prender o traficante.

"Toda hora batia na trave, e a gente não conseguia prender essa pessoa. Era difícil, não só pela periculosidade, pela estrutura no entorno dele. Teve situações que a gente ponderou e retraiu, porque o risco ficou grande demais", afirmou Veloso.

Matemático comandava o Complexo de favelas de Senador Camará, na zona oeste do Rio. O conjunto engloba as favelas da Coréia, Rebu, Taquaral e Vila Aliança. Ele, que tinha 37 anos, era um dos traficantes mais antigos do Rio estavam em atividade. Isso fazia com que fosse ainda mais respeitado na hierarquia do crime.

No ano passado, Matemático iniciou uma guerra pelo controle do tráfico de drogas na área de vila Kennedy. Na tentativa do traficante expandir seus domínios, o que acabou não acontecendo, foi iniciado um período sangrento, que resultou na morte de dezenas de pessoas.

"Ele era um líder. Comandava com mão de ferro. Era sanguinário. Realmente, ele era um símbolo", afirmou o delegado João Luiz de Araújo, que comanda a divisão de entorpecentes da Polícia Federal.

Matemático estava sempre cercado de um forte aparato de segurança, com traficantes que faziam sua escolta com fuzis de grosso calibre. A região do complexo de Senador Camará é muito extensa, e considerada de difícil acesso.

"Qualquer movimentação era alertada, a favela é muito grande. Fora que ele era muito cauteloso, não repetia os atos. Isso tudo tornava mais difícil essa prisão", observou Veloso.

A quadrilha de Matemático possuía um dos maiores arsenais da cidade. Esse aparato de armas ficou evidente no confronto desta madrugada, no qual os traficantes abriram fogo contra o helicóptero parcialmente blindado da Polícia Civil. "Eles encararam a aeronave, que é muito bem equipada. Eles têm um poder de fogo bastante considerável", acrescentou Veloso.

Matemático tem pelo menos 26 condenações, que vão desde homicídio a tráfico de drogas. Atualmente, tinha 11 mandados de prisão expedidos. O traficante estava foragido desde 2009. Na época, foi beneficiado pelo regime semi-aberto, no qual estava combinado que trabalharia na funerária de sua advogada, e retornaria à noite para a prisão. Nunca mais voltou.

Ele havia sido preso em 2004 em um shopping de São Paulo. Na época, Matemático era braço-direito do traficante Robinho Pinga, que comandava o tráfico nas favelas de Senador Camará. Robinho teve um tumor no cérebro e morreu em 2008, quando estava preso.

Com a queda de Matemático, o comando do TCP deve ser herdado pelo traficante Marcelo Santos das Dores, conhecido como Menor P, que comanda o tráfico de drogas no Complexo da Maré, na zona norte.

Fonte: Terra

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