Polícia

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13 de fevereiro de 2012 • 10h36 • atualizado às 17h07

Advogado da família de Eloá teme que defesa deixe julgamento

A advogada Ana Lúcia Assaf teria ameaçado deixar o plenário caso Ana Cristina não seja chamada como testemunha
Foto: Diogo Moreira / Futura Press
 
Marina Novaes
Vagner Magalhães
Direto de Santo André

A advogada de defesa de Lindemberg Alves Fernandes, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel, em 2008, pode deixar o plenário do Fórum de Santo André, no ABC Paulista, durante o julgamento nesta segunda-feira, caso a mãe da vítima, Ana Cristina Pimentel, não seja ouvida como testemunha. A possibilidade foi divulgada pelo advogado José Beraldo, assistente de acusação e representante da família da jovem.

Relembre o cárcere privado mais longo do Estado de São Paulo

"O que nós não concordamos, e nos preocupamos, e para que não ocorra nulidade, mas ela disse que vai deixar o plenário", afirmou José Beraldo. De acordo com ele, a promotoria não concorda com a convocação de última hora, pois Ana não havia sido arrolada como testemunha. "Eu não digo que seja uma manobra de defesa, eu até sou favorável que ouçam a dona Ana Cristina, porque isso seria um tiro no pé, mas a promotoria não concorda e quer fazer valer a lei."

Caso a advogada Ana Lúcia Assaf deixe o plenário, o julgamento pode ser adiado, e, se ela insistir em manter a posição, a Justiça pode designar um defensor público para atuar a favor de Lindemberg. Na sexta-feira, a promotora Daniela Hashimoto disse que não convocou a mãe de Eloá porque, além de avaliar que ela não tem com o que contribuir no caso, ela não queria evitar um "sensacionalismo em cima do julgamento".

O mais longo cárcere de SP
A estudante Eloá Pimentel, 15 anos, morreu em 18 de outubro de 2008, um dia após ser baleada na cabeça e na virilha dentro de seu apartamento, em Santo André, na Grande São Paulo. Os tiros foram disparados quando policiais invadiam o imóvel para tentar libertar a jovem, que passou 101 horas refém do ex-namorado Lindemberg Alves Fernandes. Foi o mais longo caso de cárcere privado no Estado de São Paulo.

Armado e inconformado com o fim do relacionamento, Lindemberg invadiu o local no dia 13 de outubro, rendendo Eloá e três colegas - Nayara Rodrigues da Silva, Victor Lopes de Campos e Iago Vieira de Oliveira. Os dois adolescentes logo foram libertados pelo acusado. Nayara, por sua vez, chegou a deixar o cativeiro no dia 14, mas retornou ao imóvel dois dias depois para tentar negociar com Lindemberg. Entretanto, ao se aproximar do ex-namorado de sua amiga, Nayara foi rendida e voltou a ser feita refém.

Mesmo com o aparente cansaço de Lindemberg, indicando uma possível rendição, no final da tarde no dia 17 a polícia invadiu o apartamento, supostamente após ouvir um disparo no interior do imóvel. Antes de ser dominado, segundo a polícia, Lindemberg teve tempo de atirar contra as reféns, matando Eloá e ferindo Nayara no rosto. A Justiça decidiu levá-lo a júri popular.

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