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08 de junho de 2010 • 16h36 • atualizado em 12 de Junho de 2010 às 14h14

Pfizer inova e vai vender Viagra mais barato do que genérico

Nova embalagem vai conter apenas um comprimido
Foto: Divulgação
 
THAÍS SABINO
Direto de São Paulo

A pouco mais de uma semana do vencimento da patente do Viagra (usado em casos de disfunção erétil masculina), a farmacêutica Pfizer anunciou, nesta terça-feira, a redução pela metade no preço do produto. De acordo com o Diretor da Unidade de Negócios Primary Care da Pfizer Brasil, Adilson Montaneira, a pílula azul custará, a partir desta quarta-feira, menos do que a composição genérica e o Viagra continuará presente no mercado. O anúncio acontece 41 dias após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) definir que o direito do fabricante sobre a patente do medicamento expira no dia 20 de junho.

O produto ocupa o terceiro lugar no faturamento do laboratório Pfizer e a intenção da ação "é que ele continue no mercado", segundo Montaneira. "É uma medida inovadora, geralmente as empresas acabam deixando de lado um produto quando perdem a patente", disse ele.

"Temos que nos adequar ao mercado para seguir com competitividade", afirmou o diretor sobre a decisão da empresa. Segundo ele, cada comprimido custará em média R$ 15 e, ainda, será lançada uma cartela com apenas uma pílula, "o que vai facilitar ainda mais o acesso da população". "Isso com a qualidade e segurança que o composto provou ter durante estes 12 anos de existência", disse Montaneira.

O laboratório informou que, em média, seis pílulas azuis são comercializadas por segundo. Só em 2009, foram vendidos aproximadamente 7 milhões de comprimidos, de acordo com dados da consultoria IMS Health.

"Com a embalagem de um comprimido, a ideia é incentivar mais médicos a prescreverem o produto, bem como mais pacientes a utilizarem, para que possam comprovar os ganhos em saúde e qualidade de vida que eles podem obter por meio de uma vida sexual ativa", disse o diretor.

Mesmo assim, Montaneira não espera lucros excessivos. Segundo ele, quando uma empresa perde a patente de um produto, perde também mais da metade de sua representação no mercado. "Manter cerca de 60% das vendas que tínhamos já está bom (...) Vale o sacrifício", afirmou o diretor, confiante de que a quantidade de vendas compense a queda do preço.

Do ponto de vista da medicina, a decisão da Pfizer "é positiva para médicos e pacientes", afirmou o diretor médico da empresa, João Fittipaldi. "Dar acesso a mais pacientes à qualidade do nosso produto é bom", afirmou. Para o médico, "poder receitar o Viagra que ele já sabe como funciona, que é seguro, sem ter a preocupação de encontrar outro medicamento e prescrever sem conhecer também é bom", disse.

A iniciativa contribuirá ainda para a diminuição do consumo de medicamentos falsificados, uma vez que o preço mais acessível favorecerá a compra do produto original. A gravidade do problema é tal que um estudo feito pela Pfizer em 14 países europeus e publicado no International Journal of Clinical Practice (Revista Internacional de Clínica Prática, em inglês) mostra que o mercado de medicamentos falsificados movimenta cerca de 10,5 bilhões de euros por ano. O estudo também revela que apenas uma em cada dez pílulas de Viagra apreendidas no Reino Unido continha o princípio ativo do medicamento - a sildenafila -, na mesma quantidade que o comprimido original.

Em 2009, a Pfizer lançou uma nova embalagem para o Viagra, com dispositivos que dificultam a falsificação. Entre eles estão a colagem das caixas, que quando abertas, as quatro abas se descolam e são danificadas. A embalagem do Viagra possui também o selo holográfico de segurança e a "raspadinha" - uma superfície coberta com tinta que reage quando friccionada com um objeto metálico (uma chave ou moeda, por exemplo). Sob essa tinta, aparece a palavra "Qualidade" e o logotipo da Pfizer.

"É importante que o consumidor adquira o produto original. E, para isso, vale lembrar de outros procedimentos ao comprar um medicamento, como adquiri-lo em estabelecimento idôneo, solicitar nota fiscal e observar se a embalagem não está violada", disse Montaneira.

Perda dos direitos
A queda da patente, tanto para Montaneira como para Fittipaldi são vistas como parte de um ciclo no setor farmacêutico. Segundo Fittipaldi, o desenvolvimento de um novo medicamento custa hoje cerca de $1 bi e o que possibilita este investimento é o lucro que um produto gera enquanto ainda está com os direitos preservados à empresa criadora. "A perda da patente é natural. (...) Não existe um tempo certo, mas uma hora tem que acontecer". Atualmente, a Pfizer desenvolve 180 moléculas para a criação de novos medicamentos, "se não tivesse essa preservação de direitos, não conseguiríamos investir".

Em análise aos avanços da medicina ao longo dos anos, Fittipaldi comparou como era feito o tratamento para disfunção erétil até meados dos anos 90 - injeção intravenosa ou prótese - com o que a indústria farmacêutica já disponibiliza hoje - apenas um comprido.

Especial para Terra