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Pesquisa: 1/3 dos jovens sofre com violência no dia a dia

24 nov 2009
10h58
atualizado às 12h05
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Hermano Freitas
Direto de São Paulo

Uma pesquisa do Instituto Datafolha indica que cerca de um terço da população jovem do Brasil sofre presença constante da violência em seu dia a dia. Entre os jovens ouvidos pelo estudo, divulgado nesta terça-feira pelo Ministério da Justiça, em São Paulo, 31% dos jovens dizem ter facilidade para conseguir armas de fogo, enquanto 64% deles afirmam que foram expostos a algum risco ou história de violência ou costumam ver pessoas que não são policiais armadas.

A pesquisa ouviu 5.182 jovens, de 12 a 29 anos. De acordo com o estudo, metade da população jovem entrevistada declarou ter presenciado alguma violência policial, sendo que 11% dizem que tal prática é comum. Entre os jovens ouvidos, 88% disseram já terem visto corpos de pessoas assassinadas.

A pesquisa faz parte de um estudo do Ministério da Justiça para detectar o índice de vulnerabilidade juvenil à violência em todos os municípios com mais de 100 mil habitantes. A pesquisa indicou que, dos 266 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, dez apresentam um elevado grau de violência contra os jovens: Itabuna (BA), Camaçari (BA), Teixeira de Freitas (BA), Serra (ES), Linhares (ES), Governador Valadares (MG), Marabá (PA), Cabo de Santo Agostinho (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE) e Foz do Iguaçu (PR).

Foi constatado que, nas cidades onde a vulnerabilidade juvenil é alta, a despesa média realizada com segurança pública em 2006 foi de R$ 3.764 por grupo de mil habitantes, enquanto os municípios com índice baixo de violência tiveram gastos de R$ 14.450 para o mesmo grupo.

A faixa etária com maior risco de perder vidas em razão da violência é entre 19 e 24 anos. Segundo metodologia do Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), mais de 5 mil jovens morrerão por homicídio antes de completar 24 anos no Brasil.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, avaliou a pesquisa como positiva. Segundo ele, o estudo acaba com o mito de que o Rio de Janeiro é o pior lugar para o jovem, já que a pior situação foi registrada na verdade no Nordeste. "Há uma situação difícil, uma situação grave, mas não de caos absoluto", disse o ministro. Ele destacou que municípios com iniciativas do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci) melhoraram seus índices.

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Fonte: Terra
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