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Passei por 6 corpos na minha rua, diz morador de Teresópolis

12 jan 2011
20h55
atualizado em 13/1/2011 às 00h37

As chuvas que atingiram em Teresópolis fizeram uma represa transbordou e provocou o soterramento de várias residências localizadas em encostas. No bairro Caleme, um dos mais afetados, a casa do motorista Antônio Venâncio, 53 anos, permaneceu de pé, mas foi invadida por água e lama. "Eu mesmo passei por seis corpos na minha rua. É uma tragédia enorme, o povo não sabe o que fazer diante de uma coisa horrível dessa", disse.

Ninguém da família ficou ferido, mas moradores vizinhos não tiveram a mesma sorte. As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. Pelo menos 267 pessoas morreram nas cidades de Teresópolis, Petrópolis e Nova Friburgo. De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente e a Defesa Civil, em 24 horas foram registrados 140 mm de chuva, volume esperado para todo o mês de janeiro na região.

"Está tudo fechado, as pessoas não conseguiram chegar para trabalhar. A cidade está completamente abatida e triste com isso que está acontecendo", contou a dona de casa Janayna Sofia.

Dilma sobrevoará região
A presidente Dilma Rousseff, que na quinta-feira fará um sobrevoo de helicóptero pela região, assinou uma medida provisória nesta quarta liberando R$ 780 milhões para a reconstrução das cidades atingidas.

O governador Sérgio Cabral solicitou à Marinha que aeronaves fossem disponibilizadas para deslocamento de tropas e equipamentos para a região, uma vez que a principal estrada de acesso a Teresópolis ficou interrompida por diversas quedas de barreiras.

Imagens de TV mostraram ruas tomadas pela água, carros e ônibus submersos, e várias casas soterradas pela lama que desmoronou de encostas nas cidades da região. "É um estado de calamidade, é a maior catástrofe da história do município", disse o prefeito de Teresópolis, Jorge Mário, em entrevista à TV.

Bombeiros soterrados
Em Nova Friburgo, um prédio de três andares desabou e matou uma criança, um idoso e um bebê. Uma equipe do Corpo de Bombeiros também foi soterrada quando tentava realizar um salvamento.

"Infelizmente temos três bombeiros entre as vítima. Choveu muito forte e a situação está intensa", disse o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Pedro Machado. Há ainda um quarto bombeiro desaparecido.

"A situação aqui em Friburgo é caótica. As pessoas estão sem poder se locomover. Está terrível, o Rio Bengala transbordou e várias pontes desabaram", disse um bombeiro que pediu para não ser identificado.

O vice-governador, Luiz Fernando Pezão, foi à região serrana para prestar apoio e solidariedade aos moradores. Ele sobrevoou as cidades para acompanhar de perto os estragos provocados pela chuva.

"O quadro é triste e desesperador", afirmou. As mortes no Rio acontecem um dia depois de fortes chuvas atingirem o Estado de São Paulo, deixando ao menos 14 mortos.

As chuvas no Sudeste já prejudicam a região desde meados de outubro do ano passado, com alto índice de mortos e feridos, principalmente em dezembro. Minas Gerais registrou 16 mortes em decorrência das chuvas desde novembro, enquanto o Espírito Santo divulgou cinco mortes, segundo as Defesas Civis Estaduais.

Veja onde foram registradas as mortes:

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