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Igreja deve punir quem agiu mal, diz Papa em entrevista

Francisco afirmou que a Igreja precisa de reformas e ainda disse que não quis andar em carro fechado no Brasil porque gosta de estar junto ao povo

28 jul 2013
23h02
atualizado às 23h37
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Em entrevista à Rede Globo, veiculada na noite deste domingo no programa Fantástico, o papa Francisco falou sobre as polêmicas envolvendo a Igreja Católica, como as suspeitas de desvio de dinheiro o escândalo do Vatileaks, e disse que quem errou deve ser punido. O Pontífice, que encerrou hoje sua visita de sete dias ao Brasil para a Jornada Mundial da Juventude, confirmou que durante o conclave para a escolha do novo Papa foi definida a formação de uma comissão para reformar a Igreja. Segundo ele, a primeira reunião oficial vai acontecer nos primeiros dias de outubro.

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O avião com o Papa Francisco partiu às 19h45 deste domingo da Base Aérea do Galeão com destino a Roma
Foto: AFP

"A Igreja precisa de reformas, há coisas que serviram no passado e agora não servem mais. A Igreja precisa ser dinâmica", disse o argentino ao confirmar que nos encontros que precederam o conclave foram apresentados muitos escândalos envolvendo a Cúria Romana. "Naquela ocasião, falamos claramente dos problemas. Falamos de tudo. Porque estávamos sozinhos, e para saber qual era a realidade e traçar o perfil do novo Papa. E dali saíram problemas sérios, derivados em parte de tudo o que vocês conhecem: do Vatileaks e assim por diante. Havia problemas de escândalos", ressaltou o Papa, ao confirmar que as mudanças devem ser anunciadas após pelo menos três reuniões da comissão.

Ele ainda defendeu que os religiosos envolvidos em escândalos sejam punidos. "Agora mesmo, temos um escândalo de transferência de US$ 10 ou US$ 20 milhões de um monsenhor. Belo favor faz esse senhor à Igreja, não é? Mas é preciso reconhecer que ele agiu mal, e a Igreja tem que dar a ele a punição que merece, pois agiu mal", disse ao fazer referência a irregularidades no Banco do Vaticano. O Papa também fez questão de frisar que a Cúria, como qualquer organização, tem erros e acertos, mas disse que no caso da Igreja os erros aparecem mais. "Fazem mais barulho de árvore que cai do que do bosque que cresce", criticou.

Igreja mais próxima dos fiéis
Durante a entrevista, o Papa também respondeu aos questionamentos sobre a perda de fiéis, principalmente no Brasil. Francisco disse que não conhecia a realidade brasileira, mas que, pelo exemplo do que viu na Argentina, acredita que a Igreja precisa estar mais próxima das pessoas. Ele comparou a ação dos sacerdotes a uma mãe, que precisa dar carinho, beijos, alimentos para os seus filhos, e não apenas "falar por correspondência".

"Quando a Igreja, ocupada com mil coisas, se descuida dessa proximidade, se descuida disso e só se comunica com documentos, é como uma mãe que se comunica com seu filho por carta. Não sei se foi isso o que aconteceu no Brasil. Não sei, mas sei que em alguns lugares da Argentina que conheço isso aconteceu."

Ele citou o exemplo de uma argentina - que escondia dentro de um armário uma imagem de um santo, mas que participava dos cultos de um pastor - para dizer que os sacerdotes precisam estar perto da população, que acaba procurando outras religiões porque a fé católica se afastou.

'Eu não sinto medo'
O papa Francisco também falou sobre as preocupações com a sua segurança e disse que não sentiu medo ao andar com os vidros do carro abertos em meio a uma multidão de fiéis que o cercaram na chegada ao Rio de Janeiro. "Eu não sinto medo. Sei que ninguém morre de véspera. Quando acontecer, o que Deus permitir, será. Eu não poderia vir ver este povo, que tem um coração tão grande, detrás de uma caixa de vidro. As duas seguranças trabalharam muito bem. Mas ambas sabem que sou um indisciplinado nesse aspecto."

Ele comentou ainda o fato de usar um veículo simples durante os seus deslocamentos no Brasil e de optar por morar em uma residência com pelo menos 40 pessoas, em vez do apartamento reservado ao Pontífice no Vaticano. "Penso que temos que dar testemunho de uma certa simplicidade - eu diria, inclusive, de pobreza. O povo sente seu coração magoado quando nós, as pessoas consagradas, são apegadas a dinheiro."

O Papa defendeu que os religiosos também utilizem carros simples e afirmou que morar com dezenas de pessoas o ajuda a evitar a solidão. "Não posso, não consigo viver só. Fiquei em Santa Marta (residência no Vaticano ) por razões psiquiátricas, para não sofrer de solidão. E também para economizar porque teria que pagar muito com psiquiatras", disse em tom de brincadeira.

Protestos no Brasil
Questionado se apoiava as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, principalmente no mês de junho, Francisco disse que não conhecia os motivos dos protestos, mas defendeu que os jovens lutem pelos seus direitos. "Um jovem que não protesta não me agrada. Porque o jovem tem a ilusão da utopia, e a utopia não é sempre ruim. A utopia é respirar e olhar adiante. O jovem é mais espontâneo, não tem tanta experiência de vida, é verdade. Mas às vezes a experiência nos freia. E ele tem mais energia para defender suas ideias. O jovem é essencialmente um inconformista. E isso é muito lindo! É preciso ouvir os jovens, dar-lhes lugares para se expressar, e cuidar para que não sejam manipulados", defendeu.

O Papa, que encantou milhares de fiéis durante a Jornada Mundial da Juventude pela simplicidade e simpatia, ainda brincou com a rivalidade entre brasileiros e argentinos e disse que isso é coisa do passado. "O povo brasileiro tem um grande coração. Quanto à rivalidade, creio que já está totalmente superada. Porque negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro", disse.

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Papa Francisco no Brasil
A Jornada Mundial da Juventude (JMJ) 2013 foi realizada entre os dias 23 e 28 de julho, no Rio de Janeiro. O evento, organizado a cada dois ou três anos, promove um encontro internacional de jovens católicos com o Papa. Esta edição da JMJ reuniu mais de 3 milhões de pessoas, entre elas peregrinos de 175 países. A JMJ 2013 marcou também a primeira visita internacional do papa Francisco desde sua nomeação como líder máximo da Igreja Católica, em 13 de março deste ano. A próxima edição do evento será realizada em 2016, em Cracóvia, na Polônia.

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Fonte: Terra

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