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Velório de Niemeyer teve hino comunista e menções ao ateísmo

7 dez 2012
18h28
atualizado em 10/12/2012 às 16h15

Juliana Prado
Direto do Rio de Janeiro

O corpo do arquiteto foi sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio
O corpo do arquiteto foi sepultado no cemitério São João Batista, em Botafogo, na zona sul do Rio
Foto: Daniel Ramalho / Terra

O culto ecumênico em homenagem ao arquiteto Oscar Niemeyer, que encerrou o velório no Palácio da Cidade, na zona sul do Rio de Janeiro, foi marcado pela lembrança ao comunismo, cujo ideário ele seguiu por toda a vida, e ao ateísmo. Foi o pastor luterano Mozart Noronha quem primeiro fez alusão à ausência de profissão de fé religiosa do arquiteto. "Acredito que essa seja a primeira vez em que se reúnem dois padres, um pastor e um rabino para celebrar a alma de um ateu."

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O religioso ainda leu um poema feito por ele em homenagem a Niemeyer. Em certo trecho, o texto sugere que, ao chegar ao céu, o arquiteto seja homenageado por um coro de anjos cantando a Internacional, hino do comunismo, e que ele chegaria segurando a bandeira com as imagens da foice e do martelo, símbolos comunistas.

Já o padre Jorjão afirmou que o mais importante legado do arquiteto está na prática dos ideais de justiça e igualdade defendidos por ele. Ele também fez menção ao ateísmo. Mesmo para os que não acreditam em Deus, afirmou, existe uma luz a ser alcançada, que é "de todos". O religioso lembrou o grande volume de templos projetados por Niemeyer. "Nenhum brasileiro projetou tantas igrejas como Oscar Niemeyer", destacou durante o ritual, acompanhado por parentes e amigos do arquiteto.

A responsabilidade política e humana de Niemeyer foram os pontos destacados pelo rabino Nilton Bonder durante a cerimônia ecumênica. Para ele, o grande marco revolucionário do arquiteto foi a defesa destes valores nos quais tanto acreditava.

Ao final do culto, foi puxado um coro para cantar a letra da Internacional Comunista. Vários populares, alguns usando blusas com o rosto de Fidel Castro e Che Guevara, cantaram o hino com os punhos fechados direcionados para o alto, outro símbolo do regime político.

O corpo de Niemeyer deixou o Palácio da Cidade sob fortes aplausos e foi levado em cortejo para o cemitério São João Batista, onde foi sepultado.

Morre Oscar Niemeyer
O arquiteto Oscar Niemeyer morreu às 21h55 do dia 05 de dezembro de 2012, aos 104 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, de infecção respiratória. Ele estava internado na instituição de saúde desde o dia 6 de novembro, onde alternou quadros de melhoria e de piora na saúde.

Considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura moderna mundial, Niemeyer foi responsável pelas principais obras da construção de Brasília, inaugurada em 1960. Carioca, nasceu em 15 de dezembro de 1907 no bairro de Laranjeiras, no Rio.

Fonte: Especial para Terra

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