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RJ: em luto, funcionários de museu de Niemeyer vestem preto

6 dez 2012
20h00
atualizado às 20h51

Mônica Garcia
Direto de Niterói

Ainda haverá projetos com a marca de Niemeyer, diz arquiteto

Considerado um dos maiores expoentes da arquitetura moderna, Oscar Niemeyer, foi homenageado pelos funcionários do Museu de Arte Contemporânea (MAC) em Niterói. Eles vestiram camisas pretas para trabalharem. A cidade que fica na região metropolitana do Rio de Janeiro é uma das que mais recebeu obras do arquiteto.

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Conheça a trajetória do arquiteto

Segundo o diretor do museu, Guilherme Bueno, o pedido para trabalharem de camisetas pretas foi dos próprios funcionários, logo que chegaram pela manhã. Bueno ainda falou que nenhuma manifestação do público ocorreu durante o dia, e nem a visitação aumentou.

Algumas manifestações de carinho foram deixadas no livro do museu. Como a do francês, Yohann, que escreveu "Já sinto falta de você Niemeyer". Já uma pernambucana que não registrou o nome deixou escrito "Vá em Paz, Niemeyer". A visitante Laryssa, de Duque de Caxias, foi mais romântica em suas palavras: "a poesia calada", escreveu.

Bueno acredita que as pessoas ainda estão assimilando a perda de Niemeyer e, por isso, poucas manifestações de carinho foram feitas até agora. No próprio museu não há nenhuma faixa de luto ou referência à morte do arquiteto que projetou o MAC, na década de 90.

"Foi um dia de consternação. Fomos surpreendidos com a notícia da morte dele na noite de ontem. Embora tivesse mais de um século de vida, Niemeyer era muito ativo, não imaginávamos que isso pudesse acontecer agora", disse Bueno, que informou que na próxima semana será realizada uma exposição com gravuras do arquiteto no salão de exposição do museu.

Beijo no "amigo"
Quem fez questão de prestar a última homenagem ao arquiteto foi a estudante Ana Giulia Silva, 6 anos. Acompanhada da tia, a criança pediu para passar no Caminho Niemeyer, para dar um beijo no "amigo" - uma escultura do arquiteto que fica ao lado da estátua do presidente Juscelino Kubitschek, onde Niemeyer mostra a JK uma planta do projeto arquitetônico da construção de Brasília. As estátuas foram feitas por Edgar Duvivier - que fica na Praça JK.

Ana Giulia, que é surda, soube na escola que o arquiteto havia morrido e pediu para brincar um pouco mais com o amigo. "Ela soube na escolinha que o Niemeyer havia morrido e pediu para vir brincar e dar um beijo nele. Ela não entende muito o que seja a morte, mas queria ver o amigo sentado no banco da praça hoje", disse a tia que pediu para não falar o nome.

Completamente abandonada e com moradores de rua vivendo no local, a Praça JK não tinha nenhuma homenagem exposta ao seu projetista. No Teatro Popular de Niterói, outra obra de Niemeyer, também não havia nenhum sinal de luto ou homenagem, apenas uma conferência de médicos acontecia no local.

Morre Oscar Niemeyer
O arquiteto Oscar Niemeyer morreu às 21h55 do dia 05 de dezembro de 2012, aos 104 anos, no Hospital Samaritano, no Rio de Janeiro, de infecção respiratória. Ele estava internado na instituição de saúde desde o dia 6 de novembro, onde alternou quadros de melhoria e de piora na saúde.

Considerado um dos nomes mais influentes da arquitetura moderna mundial, Niemeyer foi responsável pelas principais obras da construção de Brasília, inaugurada em 1960. Carioca, nasceu em 15 de dezembro de 1907 no bairro de Laranjeiras, no Rio.

Fonte: Especial para Terra
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