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Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia se apresenta com pianista Marta Argerich

6 set 2014
21h11

A pianista argentina Marta Argerich se apresentará neste domingo junto com 130 jovens brasileiros, a maioria de origem humilde, no Festival de Montreux, em um concerto que será um reconhecimento de sua qualidade, mas, sobretudo, de seu esforço.

A Orquestra Sinfônica Juvenil da Bahia (Yoba) é a convidada de honra da 69ª edição do Festival de Música Clássica de Montreux-Vevey, realizado entre os dias 28 de agosto e 12 de setembro deste ano.

A Yoba foi criada em 2007 pelo pianista e maestro brasileiro Ricardo Castro, que se inspirou na Orquestra Sinfônica Simón Bolívar da Venezuela, conhecida mundialmente graças a seu excepcional maestro Gustavo Dudamel.

Desde então, a Yoba, com 80% de seus músicos provenientes de bairros e regiões pobres da Bahia, foi crescendo em profissionalismo e reconhecimento, o que lhe permitiu ser "a estrela" de vários festivais.

"A diferença com o projeto venezuelano é que nós impomos o que chamamos de efeito multiplicador: todos os músicos, além de ensaiar individualmente, têm que dedicar horas a dar aulas para outros músicos mais jovens", explicou Castro, em entrevista à Agência Efe.

"A ideia é criar uma mentalidade nova: dividir o conhecimento também faz parte do crescimento pessoal", acrescentou.

"A Yoba e nós que a formamos fomos os pioneiros, mas necessitamos que mais pessoas se dediquem a isso, multipliquem o conhecimento musical entre a população".

Sete anos depois da ideia inicial, a Yoba é o "maior" dos muitos grupos musicais - seis deles orquestras sinfônicas - nas quais participam 4,5 mil músicos que formam os Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojiba), um programa público de fomento do estudo musical entre as populações mais desfavorecidas do estado.

O programa oferece aos alunos de 12 a 29 anos transporte e refeição gratuitos, o instrumento e, em alguns casos, uma bolsa de estudos, "elementos essenciais para que os meninos possam frequentar as aulas, porque, caso contrário, sequer teriam os meios para se deslocar".

No Festival de Montreux, a Yoba oferecerá cinco concertos muito diferentes e demonstrará sua versatilidade.

O grande desafio será tocar junto com a pianista argentina Marta Argerich o concerto para dois pianos e orquestra em ré menor de Francis Poulenc, do qual também participará o pianista Alexander Gurning.

"Conheço a Marta há 25 anos. Ela pôde ouvir à Yoba em nossa turnê nos Estados Unidos e se encantou com o projeto, aceitou montar algo juntos e aqui estamos", explicou Castro.

"Para os jovens, tocar com Argerich é uma mostra do que se pode alcançar", acrescentou.

Não é a primeira vez que a orquestra se apresenta junto com outros grandes artistas, já que no passado atuaram com grandes figuras como Lang Lang e Jean-Yves Thibaudet.

"Estar aqui em Montreux, hospedados onde estamos, tocando nos palcos onde tocam tantos artistas do mais alto nível demonstra aos jovens o que a música pode lhes oferecer. É uma realidade totalmente oposta a de precariedade, que é a origem de muitos. Estar aqui e ser um espelho para os outros, nos dá esperanças de onde podemos chegar graças à música", comentou por sua vez, Guilherme Teixeira, primeiro violinista da Yoba.

Além de tocar com Marta Argerich, durante o Festival de Montreux a Yoba se apresentará com o percussionista britânico Colin Currie e também será regida pela batuta do jovem maestro Yuri Azevedo.

As apresentações da Yoba terão outro momento de destaque na próxima terça-feira, com o "concerto gigante das escolas", no qual os jovens baianos tocarão junto com estudantes suíços das escolas de música da região.

No total serão 320 músicos no palco que interpretarão peças de Gustav Holst e Lorenzo Fernández.

O trabalho pedagógico de Castro foi reconhecido e o maestro foi escolhido como a personalidade do ano 2011 no Prêmio Bravo!, um dos mais importantes para o mercado cultural no Brasil. Além disso, foi o primeiro brasileiro a ser agraciado com o título de membro honorário da Royal Philarmonic Orchestra, de Londres, em 2013.

"O trabalho que fizemos na Bahia é excelente e não deixa de se multiplicar. Espero que outros estados o copiem, apliquem o mesmo sistema 'multiplicador' de ensino, e surjam mais músicos no país", concluiu.

EFE   

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