Diretor de 'Wolverine' diz que internet é 'parceiro leal'

14 de julho de 2009 • 14h49 • atualizado às 20h29

O diretor de cinema sul-africano Gavin Hood, do blockbuster X-Men Origens: Wolvernine e de Tsotsi, que em 2006 ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, afirmou nesta terça-feira, durante o Órbita, evento anual do Terra, que a internet é um "parceiro leal".

"A internet não vai desaparecer, a gente tem de se tornar amigo dela. Vamos falar daquilo que eu gosto na Internet. Quando eu comecei no cinema, ninguém queria ver o meu trabalho. Eu tinha de mostrar o meu filme para o mundo. Não dava para fazer upload do filme e colocar na Internet. Hoje, milhões de pessoas tem acesso a isso rapidamente. É uma nova democracia para as pessoas que querem produzir a sua própria arte", disse.

Perguntado sobre o lado bom e o lado ruim da internet, Hood preferiu ficar em cima do muro. "A internet pode ser boa ou ruim", disse. Para ele, ela pode ser uma ótima ferramenta para ajudar na difusão de produções menores. Por outro lado, ela pode ajudar a afugentar investidores por causa da pirataria. Wolverine, seu último trabalho, vazou na internet dias antes de seu lançamento oficial.

Formado em direito na África do Sul, Hood trabalhou rapidamente como ator em seu país antes de ir para os Estados Unidos estudar roteiro e direção na Universidade de Califórnia em Los Angeles. Lá, em 1993, ganhou o Prêmio de Roteiro Diane Thomas por seu primeiro roteiro, A Justiça de um Homem , inspirado em um caso de homicídio por ritual. Entre os jurados estavam Steven Spielberg, Michael Douglas e Kathleen Kennedy.

Após concluir seus estudos, Hood retornou para a África do Sul, onde conseguiu seu primeiro trabalho de roteiro e direção, fazendo filmes educacionais para o Departamento de Saúde, que estava começando a sentir o impacto da epidemia HIV/Aids. Por seu trabalho na televisão educativa, ganhou um Prêmio Artes (Emmy da África do Sul) e foi indicado para outro.

Em 1998, Hood estreou na direção de filmes de 35mm com um curta de 22 minutos chamado The Storekeeper. O filme ganhou 13 prêmios em festivais internacionais, incluindo o Grande Prêmio do Festival de Filme Internacional de Melbourne, na Austrália, o que qualificou o filme para consideração de um prêmio do Oscar em 1998.

The Storekeeper abriu caminho para a estréia de baixo orçamento de Gavin, A Justiça de um Homem, que ele escreveu, dirigiu, co-produziu e atuou, junto com o indicado ao Oscar Sir Nigel Hawthorne. No Prêmio de Filmes Africanos de 2001, Hood ganhou como Melhor Ator, melhor Roteirista e Melhor Diretor. No Festival de Filme de Sundance de 2000, Hood foi escolhido pela Variety como um dos seus ¿Dez Diretores a Observar".

Em 2001, foi contratado para adaptar e dirigir uma história épica de aventura de crianças da África, baseada no livro In Desert and Wilderness, do autor polonês Henryk Sienkiewicz, ganhador de um Nobel. Embora o filme se passasse na África, onde Gavin cresceu, ele teria que ser filmado em polonês. Aproveitando a oportunidade de filmar em super 35mm, Gavin aceitou a proposta, trabalhando com um tradutor polonês. Ao ser lançado, o filme se tornou a maior bilheteria da Polônia no ano e ganhou Best of the Fest (Melhor do Festival) no Festival Internacional de Chicago de Filmes para Crianças em 2002.

Em 2003, Gavin foi abordado pelo produtor do Reino Unido Peter Fudakowski, para escrever um roteiro baseado no livro Tsotsi, escrito pelo dramaturgo mais aclamado da África do Sul, Athol Fugard. O longa foi filmado na África do Sul no final de 2004 e lançado pela Miramax em fevereiro de 2006. Além de ganhar o Oscar de 2006 por melhor filme estrangeiro, Tsotsi recebeu uma indicação ao Globo de Ouro, conquistou o Prêmio Máximo no Festival de Cinema AFI, Festival de Cinema de Toronto e Festival de Cinema de Edinburgo, além de sete outros festivais.

Gavin também dirigiu O Suspeito (Rendition, New Line Cinema. 2007), com Reese Witherspoon, Meryl Streep,e Jake Gyllenhaal, e ¿X-Men Origens: Wolverine¿, atualmente nos cinemas com uma bilheteria internacional que se aproxima dos US$ 400 milhões.

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Redação Terra
 
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