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24 de abril de 2013 • 18h03 • atualizado às 18h08

ONU escolhe general brasileiro para chefiar missão de paz no Congo

Carlos Alberto dos Santos Cruz será o único brasileiro da tropa que atuará no país africano

Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, a escolha do general brasileiro para comandar a missão é uma demonstração de prestígio e respeito
Foto: Felipe Barra/Ministério da Defesa / Divulgação
 

A Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu o general de divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz, 60 anos, para comandar a missão de paz no Congo. Santos Cruz, que vai coordenar cerca de 20 mil militares de 20 países, será o único brasileiro da tropa que atuará no país africano. Para o ministro da Defesa, Celso Amorim, a escolha do general brasileiro para comandar a missão é uma demonstração do prestígio e respeito conquistados pelo país no cenário internacional.

"Em 44 anos de Exército, deu para aprender alguma coisa", brincou o general, em conversa com a Agência Brasil. "Sem dúvida alguma, será uma missão desafiadora. É um desafio fantástico buscar a paz em um país que tem a dimensão da Europa Central e conflitos enraizados desde sua origem", ressaltou Santos Cruz.

O desafio do general é tentar a paz em um país cujos conflitos tem cerca de 10 anos. Desde a segunda Guerra do Congo (1998-2003), que envolveu várias nações africanas, o país vive em clima de instabilidade e fragilidade. Durante a guerra, mais de 5 milhões de pessoas morreram.

Santos Cruz levará para o Congo a experiência de ter comandado a missão de paz no Haiti (Minustah) durante dois anos e sete meses (2006-2009). Na ocasião, ele estava à frente de 12 mil homens. Na reserva há cinco meses, o general estava na Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

"O convite foi formalizado nesta quarta-feira pelas Nações Unidas. Estamos acelerando essa primeira etapa, que é administrativa, para que, o mais breve possível, eu possa partir para a missão. A escolha de um brasileiro é o reconhecimento ao trabalho das Forças Armadas do Brasil", destacou o general.

Para ele, não há como comparar missões de paz no Haiti e no Congo. “Há diferenças fundamentais, que vão desde o tamanho dos países e das populações até a natureza dos conflitos. Tudo isso deve ser considerado para uma operação, sem contar que o Haiti está bem próximo de nós”, disse o militar. O fato de ser o único brasileiro comandando homens de 20 nacionalidades distintas não assusta o general.

"Não vejo dificuldade alguma nisso. A cultura militar segue os mesmos princípios no mundo: a base é a hierarquia e o respeito. Esses aspectos favorecem o contato e o trabalho", disse. Com 3,9 milhões de habitantes e ainda com um passado recente da colonização francesa, o Congo enfrenta conflitos étnicos, políticos, econômicos e disputas por recursos naturais.

Agência Brasil