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ONU: Brasil e Turquia buscam solução pacífica com Irã

21 mai 2010
09h34
atualizado às 10h57

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, qualificou hoje como "importante" o acordo obtido, nesta semana, entre Brasil, Turquia e Irã. O contrato fará com que a República Islâmica envie seu urânio para enriquecimento no exterior.

"Brasil e Turquia trabalharam juntos para oferecer uma importante iniciativa à resolução das tensões internacionais sobre o programa nuclear do Irã de forma pacífica", afirmou Ban, em discurso na Universidade do Bósforo de Istambul. Ele acrescentou que é esperado "que esta e outras iniciativas permitam uma solução negociada" para a questão.

O secretário está na cidade turca para participar de uma conferência, organizada pela ONU e pelo governo da Turquia, sobre a situação na Somália.

Ban destacou a necessidade de que, antes de mais nada, a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) avalie o acordo nuclear com o Irã, do ponto de vista técnico e "profissional".

Firmado na segunda-feira, o contrato inclui o compromisso do Irã de enviar ao exterior, especificamente à Turquia, uma quantidade de 1,2 mil kg de urânio pouco enriquecido. O país irá receber de volta, no prazo de um ano, 120 kg do combustível enriquecido a 20%, nível suficiente para o reator médico pretendido.

Segundo o ministro de Exteriores turco, Ahmet Davutoglu, o tratado cumpre, em linhas gerais, a proposta formulada no ano passado pela Aiea. Mas, o organismo ainda não se pronunciou sobre o novo pacto.

As declarações de Ban ocorrem enquanto o Conselho de Segurança da ONU analisa a proposta dos Estados Unidos de aplicar uma quarta rodada de sanções internacionais ao Irã. Isso por conta do polêmico programa atômico, suspeito pelas potências ocidentais de ter fins bélicos, o que é negado pelo regime de Teerã.

O projeto de novas sanções conta com o apoio dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - EUA, Rússia, França, China e Reino Unido - , os países com direito a veto de resoluções. Brasil e Turquia, dois dos dez membros não-permanentes do Conselho, se opõem às novas sanções e defendem negociações diplomáticas para o fim do conflito.

Ambos os países consideram o acordo obtido com o Irã um "triunfo da diplomacia" que abrirá novas vias para negociar uma solução pacífica. Mas, os EUA e outras potências ocidentais acham que a República Islâmica tenta apenas, mais uma vez, ganhar tempo para poder continuar com suas aspirações nucleares.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira acreditar que o Conselho de Segurança da ONU aprovará uma "resolução forte" contra o Irã e advertiu que o país ficará isolado caso não cumpra suas obrigações.

EFE   
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