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Novo foco no Fórum Social Mundial atrai mais jovens, diz Ibase

18 jan 2010
18h26
atualizado às 18h47

A participação de mais jovens no Fórum Social Mundial (FSM) éresultado de dez anos de mobilização. Essa é um das conclusões depesquisa do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas(Ibase), lançada a pouco mais de uma semana do Fórum Social 10Anos: Grande Porto Alegre. O evento, que começa segunda-feira (25)na capital gaúcha e em cidades próximas, vai avaliar uma década deencontros.

Com base no fórum realizado no ano passado emBelém, que teve cerca de 150 mil participantes, a pesquisa do Ibasemostra que uma nova geração de ativistas procura espaço no evento,que mudou de perfil na última década. "O FSM caminhou de uma lutacontra o neoliberalismo para a discussão de um modelo dedesenvolvimento ambientalmente sustentável e justo", diz um dosfundadores do fórum e diretor do Ibase, Cândido Grzybowki.

Parao sociólogo, o perfil dos participantes do FSM está relacionado comessa mudança de foco. "Achávamos que os jovens estavamdesinteressados da política. Tiro a conclusão de que não",afirmou Grzybowki. "O jovem se exprime de forma surpreendente. Ficoparticularmente contente porque os jovens do Fórum Social de Belém eram crianças ou adolescentes quando iniciamos as primeirasedições em 2001 e 2003 em Porto Alegre e agora vão nossubstituir."

O levantamento do Ibase entrevistou 2.262participantes na edição do Pará, dos quais 64% têm entre 14 e 34anos. Do total, 8% têm mestrado ou doutorado, 34% têm formaçãosuperior, 39% ainda não concluíram a faculdade, 15% têm entre 9 e12 anos de estudo e os demais afirmaram ter até 8 anos deescolaridade. A pesquisa também constatou que 76% participavam doevento pela primeira vez, o que, segundo o texto, é "um indicativode renovação".

De acordo com Grzybowki, além da mudançade foco nas discussões, a construção do evento com espaço paratrocas culturais e "horizontalidade" também atrai os jovens. "A geração de hoje é muito avessa a estruturas de representação.Eles querem falar", afirmou. O reflexo é que 89% dos entrevistadosna última edição consideram a diversidade "o ponto forte" doevento.

O trabalho do Ibase também pesquisou o engajamentodos ativistas. Decorrente de uma "visão mais universalista" dosproblemas contemporâneos, o levantamento sugere que 20% não seidentificam com nenhum movimento específico. Dos demais, 21%defendem questões ambientais, 16% lutam pelos direitos humanos, 11%lidam com ativismo cultural e 10% participam do movimentoestudantil.

Para Grzybowki, é naturalque os jovens não tenham definido uma área de atuação prioritáriaou não estejam engajados em algum movimento da sociedade. "Elesestão sendo jovens. Estão descobrindo suas áreas. A maioria estána universidade ou na escola secundária. É cedo para querer queentrem para um movimento definido. Mas é fato que a participaçãodeles no fórum marca uma posição política",concluiu.

Agência Brasil Agência Brasil
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