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Agrava-se conflito na fronteira de Brasil e Bolívia

04 de maio de 2006 08h06 atualizado às 08h29

Agravou-se na fronteira entre Brasil e Bolívia o conflito deflagrado pela defesa da brasileira EBX por moradores que não querem que a companhia siderúrgia deixe o país, como exige o governo boliviano. Manifestantes favoráveis e contrários ao presidente da Bolívia, Evo Morales, entraram em choque na noite de ontem. O departamento de Santa Cruz convocou uma greve geral para hoje.

O grupo que mantinha a ponte que liga a Bolívia ao Brasil fechada foi expulso por comerciantes que querem o fim da greve geral. Um caminhão que impedia há cinco dias o tráfego no local foi retirado à força pelos manifestantes, de acordo com o Bom Dia Brasil.

Após a liberação da ponte, apenas um pequeno grupo de moradores de Arroyo Concépcion permanece na fronteira para evitar que a passagem seja novamente bloqueada. Hoje, eles pretendem reabrir o comércio que está fechado há quase uma semana.

No entanto, os coordenadores do movimento de paralisação dizem que a greve não acabou. Uma associação que congrega 56 municípios de Santa Cruz, departamento onde fica a cidade de Puerto Suárez, epicentro do conflito, anunciou que poderia aderir às pressões contra o governo a partir da próxima semana. O presidente desta organização, Jorge Morales, explicou que o movimento "não é para defender a empresa" brasileira como tal, mas as fontes de trabalho eliminadas pela determinação do governo em expulsá-la do país.

O vice-ministro de Coordenação dos Conflitos Sociais, Alfredo Rada, considerou que o conflito de Puerto Suárez, que provocou o fechamento da fronteira entre Brasil e Bolívia na altura de Corumbá, era um instrumento político utilizado para desestabilizar o governo do presidente Evo Morales.

Acusação
A EBX é acusada de ter violado a Constituição boliviana, que proíbe que estrangeiros se estabeleçam a menos de 50 km das fronteiras. A empresa brasileira se instalou na zona franca de Puerto Suárez para explorar ferro sem a autorização do governo, que está preparando uma licitação internacional com o objetivo de criar um pólo de desenvolvimento numa área isolada.

A zona de El Mutún, onde se encontra a EBX, tem 40 bilhões de toneladas de ferro e 10 bilhões de toneladas de magnésio. Mil pessoas, entre brasileiros e trabalhadores da usina, realizaram uma manifestação para pedir que a EBX "não retire uma única peça" das estruturas instaladas.

O general Isaac Pimentel, comandante da polícia, pediu que o ministério boliviano das Relações Exteriores investigue a entrada de brasileiros em território boliviano para protestar contra a saída da EBX. "Para nós, isso é uma violação de nossa soberania", declarou.

Enquanto isso, o governo negocia com organizações cívicas de Santa Cruz a suspensão de uma greve geral convocada para esta quinta-feira para pedir mais postos de professores e médicos. O governo alega que não pode responder positivamente à demanda por falta de orçamento.

Redação Terra