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Prisão comprova desvio de armas do Exército

28 de abril de 2006 02h32

A prisão de dois colombianos, no último dia 5, dentro do território brasileiro, comprovou que armas de fabricação nacional e até mesmo as desviadas das Forças Armadas estão sendo utilizadas como moeda de troca para aquisição de droga.

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    Justo Ramires e William Cespedes, que dizem ser garimpeiros e não guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), foram presos em flagrante por militares do 4º Pelotão Especial de Fronteira (PEF), em Cucuí (AM), após troca de tiros.

    Eles foram encontrados em uma trilha na mata usada por traficantes para evitar a fiscalização na fronteira. Cucuí é uma reserva indígena na tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Venezuela. Por causa do tamanho da floresta e do difícil acesso, o local se torna constantemente rota para o narcotráfico, um caminho fácil para Colômbia, Venezuela e Guianas.

    Segundo o delegado da Polícia Federal (PF) Carlos Afonso Gonçalves Gomes, responsável pela investigação, eles transportavam cerca de R$ 700 mil em diferentes moedas (euro, dólares, reais) grande quantidade de armamento de fabricação brasileira, com o brasão do Exército.

    Entre o armamento apreendido, estavam um Fuzil Automático Leve (FAL), dois fuzis Parafal, seis carregadores para fuzil, um revólver Taurus calibre 38, uma pistola 9mm Smith Welsson, 57 cartuchos para pistola 9mm, 200 cartuchos para revólver calibre 22, 76 cartuchos 7.62 e uma pistola 9mm Taurus.

    O delegado afirmou que os fuzis e a munição estavam acondicionados para transporte e que o armamento apreendido tem numeração, mas não possui registro no Sistema Nacional de Registro de Armas. Ele disse ser possível que algumas das Armas tenham sido desviadas do Exército ou antes da impressão do número de patrimônio do Exército.

    Os dois colombianos participaram na última quarta-feira, em Brasília, de audiência na CPI do Tráfico de Armas. Eles negaram qualquer envolvimento com as Farc e afirmaram que não estavam armados quando foram presos. Também disseram que desconheciam que transportavam armas e dinheiro. Os dois caíram, no entanto, em diversas contradições em relação ao depoimento prestado anteriormente à Polícia Federal em Manaus.

    Segundo o delegado, não há confirmação de que os dois sejam integrantes ativos das Farc. Entretanto, ele ressaltou que há fortes indícios de que ambos levavam dinheiro de traficantes brasileiros para adquirirem drogas na Colômbia, ou levavam dinheiro da Colômbia para traficantes no Brasil.

    Para os integrantes da CPI das Armas, está comprovado que armas estão sendo utilizadas como moeda de troca para aquisição da droga. "Todas as armas apreendidas são de fabricação nacional, tanto as exclusivas de uso das Forças Armadas como a pistola, os revólveres e a munição, todos originários de fábricas brasileiras", disse o deputado Paulo Pimenta (PT-RS).

    "Os guerrilheiros colombianos e narcotraficantes daquela região estão utilizando rotas brasileiras para abastecer o comércio nacional e internacional com as drogas fabricadas ali. O local também tem sido um corredor de entrada de armas tanto para os guerrilheiros como para entrada de armas no Brasil", completou o vice-presidente da CPI, deputado Neucimar Fraga (PL-ES).

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