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Anvisa avalia liberação de pilula "anti-sono"

23 de abril de 2006 01h15 atualizado às 03h26

Uma droga indicada no tratamento da narcolepsia, distúrbio do sono que aflige 125 mil pessoas nos EUA, começa a ganhar fama como a "pílula contra o sono". Mais conhecida como modafinil, promete aos usuários permanecer acordados por até 40 horas, sem cansaço ou falta de atenção. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já analisa a liberação do produto.

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    "O modafinil não chega a ser um estimulante e, sim, um promotor de vigilância, que reduz em até 40% a sonolência diurna. Mas não recomendaria essa droga para reduzir o sono de ninguém. Só em casos de excesso de sonolência", ressalta o neurologista Geraldo Rizzo.

    Nos EUA, a "pílula anti-sono" é fabricada pelo laboratório Cephalon sob o nome de Provigil. Ela foi aprovada pelo FDA, órgão que fiscaliza produtos farmacêuticos, para o tratamento da narcolepsia em 1998.

    O modafinil, porém, não ficou restrito a narcolépticos. Passou a ser consumido por quem quer manter-se alerta por mais tempo. "O tempo de ação é, em média, de 24 horas. Ninguém vai ficar acordado por mais tempo. Aumentar a dosagem não significa aumentar o tempo de ação", frisa Rizzo.

    No Brasil, estima-se que a proporção de narcolépticos seja de 50 para cada 100 mil ¿ algo em torno de 0,05%. "O índice é muito baixo. É óbvio que esse Carnaval todo não está sendo feito por causa deles", ironiza Flávio Magalhães, diretor médico do Sleep Laboratório de Sono.

    O modafinil deve ser o primeiro de muitos. A inglesa Cortex também pediu aprovação para comercializar o CX7 17, que permitiria até 51 horas de vigília, 11 a mais que o concorrente. No Brasil, o resultado da análise da Anvisa sairá em junho. "O problema não é liberar e, sim, controlar o produto. Se o uso for indiscriminado, pode se tornar perigoso", adverte Magalhães.

    Apesar do baixo risco de dependência, o uso prolongado pode causar de perda de memória e irritabilidade a depressão. "Uma noite sem dormir já faz mal à saúde", afirma Luciana Palombini, da Unifesp.

  • Redação Terra