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Embaixadora compara moçambicanos e seu cachorro

12 de agosto de 2005 10h31 atualizado às 11h45

A embaixadora do Brasil em Moçambique, Leda Lúcia Martins Camargo, insultou dois seguranças de um dos maiores complexos comerciais da capital moçambicana, o Shoprite, depois que eles a impediram de entrar no estabelecimento com seu cachorro, relata o semanário Zambeze em sua última edição. A embaixadora comparou os moçambicanos ao seu cão e os chamou de porcos, segundo informam jornais do país.

De acordo com os trabalhadores do complexo que funciona no coração de Maputo, ao ser impedida de entrar no Shoprite, a embaixadora do Brasil disse que seu cachorro "era mais limpo que Maputo (capital do país) e que seu animal de estimação era mais limpo que os moçambicanos".

"Não há razões que me impeçam de entrar no centro comercial porque meu cachorro é limpo", diz o jornal citando a embaixadora.

O Zambeze ouviu Leda Lúcia com relação ao assunto, e ela confirmou ter participado deste "incidente". Segundo consta, é proibida a entrada de animais no centro comercial em que o episódio ocorreu.

"Chegamos perto da embaixadora, e ela disse que o cão era mais limpo que a cidade de Maputo e que os próprios moçambicanos", afirmou um funcionário do local ao jornal.

O diário levanta outros problemas de relacionamento entre a diplomata e os trabalhadores da missão diplomática brasileira em Maputo. Os funcionários da missão diplomática fizeram um abaixo-assinado na própria embaixada e o levaram ao Ministério dos Negócios Estrangeiros e de Cooperação e ao Ministério do Trabalho, em que fazem denúncias de supostas arbitrariedades cometidas pela diplomata. No abaixo-assinado, os trabalhadores pedem para ser "respeitados e tratados como seres humanos".

"Pedimos para ser tratados com cordialidade", escrevem em carta dirigida a essas instituições. Os funcionários da missão diplomática dizem que esta embaixadora "é a pior que passou por aqui". "Passaram bons embaixadores por aqui e nunca houve problemas. Hoje somos maltratados e obrigados a conviver com os animais da senhora embaixadora", relatam.

Quando contatada pelos jornais locais, a embaixadora disse: "agi porque não admito ser ferida por pessoas inferiores". "Confirmo o incidente com os dois trabalhadores daquele centro que queriam chutar meu cachorro", disse a diplomata brasileira. "Sei que em Moçambique e no Brasil não se aceita a circulação de animais em restaurantes, mas este chiuaua era da minha falecida mãe e hoje dorme comigo no meu travesseiro", afirmou a diplomata. A diplomata acusa os trabalhadores de tentarem "estragar as relações diplomáticas entre Moçambique e Brasil".

Comunicado
De acordo com o comunicado à imprensa da embaixada do Brasil, a embaixadora informou os trabalhadores do supermercado de que o cão "nao haveria de incomodar quem quer que fosse". Segundo a embaixadora, o que "notei é que eles é que são racistas". "Não sei como é que eles descobriram que eu sou embaixadora porque eu não disse a eles", diz o comunicado.

Os trabalhadores, entretanto, insistem que a embaixadora do Brasil chamou-os de imundos e que não titubeou para classificá-los de negros imundos e sujos incomparáveis a seus cachorros. Dado o impacto que a notícia teve depois de publicada nos jornais locais, a embaixada do Brasil apressou-se e emitiu um comunicado.

EFE
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