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Luiz Marinho será o novo ministro do Trabalho

08 de julho de 2005 12h49 atualizado às 22h21

O presidente da CUT será o novo ministro do Trabalho. Foto: Agência Brasil

O presidente da CUT será o novo ministro do Trabalho
Foto: Agência Brasil

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, 45 anos, foi convidado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério do Trabalho e aceitou a proposta. Ele confirmou a informação ao sair da reunião que teve com Lula na Granja do Torto. Marinho assume a pasta no lugar de Ricardo Berzoini.

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    "O presidente Lula havia me consultado há alguns dias e pediu que eu pensasse no assunto. Eu disse que não pensaria, mas se fosse convocado, assumiria. Segundo Marinho, a posse deve ser na próxima semana.

    Marinho disse que vai dar continuidade ao trabalho desenvolvido por Ricardo Berzoini à frente do ministério, além de promover discussões para a recuperação do salário mínimo.

    Salário mínimo
    Marinho afirmou que procurará "estabelecer uma política de valorização permanente do salário mínimo, um anseio não somente do movimento sindical, mas também de vários segmentos da sociedade brasileira". Para tanto, disse que pretende manter diálogo com ministérios da área econômica e, principalmente, com ministério da Previdência e Assistência Social.

    "Nós trabalhamos com a convicção de que com um bom rearranjo do ponto de vista de gestão, no combate à corrupção, à evasão e à sonegação, a Previdência poderá, em poucos anos, deixar de ser deficitária e ter superávit, criando as condições para que o salário mínimo cresça significativamente", explicou.

    Apoio de centrais sindicais
    Marinho disse acreditar que terá o apoio das centrais sindicais. "Na medida em que deixarei de ser presidente da CUT, e passarei a ser ministro, terei o papel de me relacionar com o movimento sindical". Marinho afirmou que continuará firme a seus princípios. "Internamente no governo debaterei todas as minhas opiniões". Marinho informou que vai viajar hoje a São Paulo para discutir o novo nome na presidência da CUT.

    O novo ministro do Trabalho é casado e tem dois filhos. Nasceu em Cosmorama (SP) e trabalhou na lavoura até aos 15 anos. É metalúrgico desde julho de 1978, quando de tornou funcionário da seção de pintura da Volkswagen.

    Reforma ministerial
    O Palácio do Planalto já havia confirmado outras três mudanças em ministérios na última quarta-feira. O porta voz da Presidência da República, André Singer, anunciou o senador Hélio Costa (MG) para o Ministério das Comunicações, o deputado Saraiva Felipe (MG) para a Saúde e do presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para Minas e Energia. A posse dos três será na tarde de hoje.

    Existe a expectativa que o Palácio do Planalto anuncie outras mudanças ainda nesta sexta-feira.

    Marinho
    Foi membro da CIPA da montadora em duas gestões. Em 1984, foi eleito tesoureiro do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Nas gestões seguintes assumiu os cargos de secretário-geral e vice-presidente. De 1996 a 2003, exerceu o cargo de presidente.

    Em 7 de junho de 2003, foi eleito presidente da CUT Nacional - quinta maior central sindical do mundo - com 74% dos votos dos delegados presentes ao 8º Congresso da Central.

    Entre as principais ações sindicais que conduziu estão as campanhas vitoriosas contra as demissões em massa no setor automotivo em 1998, entre elas os 10 mil cortes anunciados pela Volks e os 2,8 mil da Ford.

    No início de 2001, negociou com a direção mundial da Whirpool, em Miami, a extensão do prazo de fechamento da fábrica da Brastemp em São Bernardo; e, em Detroit, em defesa do emprego dos trabalhadores da Ford, conseguiu arrancar da cúpula da montadora uma garantia de emprego por cinco anos para o pessoal de São Bernardo. Uma estabilidade inédita na história das relações entre capital e trabalho no Brasil. No final daquele ano, conduziu uma luta vitoriosa dos trabalhadores da Volks cujo resultado foi a readmissão de 3.000 trabalhadores demitidos por carta e garantias por cinco anos de novos investimentos e do nível de emprego na fábrica de São Bernardo.

    Marinho também é o principal responsável pela articulação de acordos setoriais, como o chamado acordo emergencial do setor automotivo, de 1999, e de projetos como o da renovação da frota nacional de veículos, idéias que olham para o futuro e para interesses estratégicos da economia e do País.

    Também um dos idealizadores da Câmara Regional do ABC, um instrumento de articulação de políticas regionais referência em todo o Brasil. Em julho de 1998, assumiu a coordenação do Mova (Movimento deAlfabetização)/Regional ABC, que já alfabetizou mais de 40 mil pessoas na região.

    É presidente de honra da Unisol-União e Solidariedade das Cooperativas do Estado de São Paulo, uma iniciativa do sindicalismo cutista voltada a fomentar a criação de alternativas de economia solidária destinadas à geração de emprego e renda. A Unisol já representa hoje 11 cooperativas de produção no Estado.

    No dia 25 de março de 2003, foi nomeado presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar (Consea), pelo presidente Lula. Também foi apontado pela CNN-Time como uma das 50 lideranças latino-americanas para o novo milênio.

  • Redação Terra