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ONU: cresce consumo de drogas sintéticas no Brasil

29 de junho de 2005 18h56 atualizado às 21h16

O Brasil é um mercado consumidor crescente de anfetaminas e ecstasy, as chamadas drogas sintéticas, segundo o Relatório Mundial sobre Drogas 2005 do Escritório contra Drogas e Crime da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado nesta quarta-feira no Rio de Janeiro.

Segundo o documento, o Brasil hoje já é o país o que mais consome ecstasy dentre as nações do Cone Sul (Chile, Paraguai, Uruguai e Argentina) e o terceiro colocado no ranking de toda a América do Sul. Cerca de 0,2% da população entre 15 e 64 anos de idade utiliza a droga no país.

"O Brasil é um país que tem mais de 50 milhões de jovens, então é um mercado atrativo para os traficantes. As drogas sintéticas estão entrando mais e mais no país. Percebemos isso nas apreensões que a Polícia Federal e as outras polícias estão fazendo no Brasil", disse o representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia.

Com relação aos outros tipos de drogas, a situação do Brasil não é alarmante, de acordo com Quaglia. O índice de usuários de maconha no país é de 1% entre as pessoas de 15 a 64 anos, uma taxa superada na América Latina apenas pelo México (0,6%) e por duas ilhas caribenhas. A prevalência de usuários de cocaína é de 0,4%, índice apenas superior ao do Uruguai na América do Sul.

Polícia está em 5º lugar no ranking de apreensão de maconha
A polícia brasileira ficou em quinto lugar no ranking mundial de apreensão de maconha em 2003. Segundo o relatório, o Brasil confiscou 166,2 toneladas da droga. Já no ranking de recolhimento de cocaína pelas autoridades, o País alcançou o oitavo lugar, com 9,7 toneladas.

De acordo com o representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia, as polícias têm feito um bom trabalho no País. Esse trabalho isolado, no entanto, não basta. Para ele, é preciso combater, principalmente, o consumo de drogas. "É muito fácil produzir maconha. Então, se o mercado consumidor aumenta, vai aumentar também a produção. Com isso, o trabalho da polícia vai ficar sempre mais complicado", afirmou Quaglia. "Para que o trabalho da polícia seja eficiente, é preciso diminuir o consumo".

Venda de ilícitas movimentou US$ 321,6 bi em 2003
A venda de drogas ilícitas a usuários movimentou US$ 321,6 bilhões no mundo, em 2003. A maior parte desse mercado concentra-se nos Estados Unidos, México e Canadá (44%) e na Europa (33%), segundo o relatório da ONU. O documento informa que a maconha foi a droga que mais movimentou dinheiro: cerca de US$ 113 bilhões, enquanto para a cocaína foram US$ 71 bilhões; para derivados do ópio, US$ 65 bilhões; para drogas sintéticas (anfetaminas e ecstasy), US$ 44 bilhões; e para o haxixe, US$ 29 bilhões.

O relatório também traz uma avaliação, feita por meio de um Índice Global de Drogas Ilícitas, que analisou tópicos como a produção, o tráfico, a demanda por tratamento e as mortes por uso de drogas. Os mais altos índices são do Oriente Médio e do Sudoeste Asiático, consideradas as áreas mais vulneráveis: 52,67, bem superior à média mundial de 11,36. Na América do Sul, o índice é de 28,26, o segundo entre as áreas com problemas.

Aids
O controle da aids entre os usuários de drogas injetáveis é um dos principais destaques brasileiros do relatório da ONU, divulgado nesta quarta-feira. Enquanto o índice de portadores do vírus HIV entre os usuários chega a 80% na América do Sul e a 66,5% na Europa Ocidental, no Brasil a taxa é de 50%.

A aids seria disseminada entre o uso compartilhado de seringas contaminadas. O representante do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime no Brasil, Giovanni Quaglia, explicou que o resultado, apesar de não ser o ideal, já pode ser comemorado.

"O governo fez um trabalho de inclusão social. É muito interessante. Isso não foi feito em outros países. No Brasil, isso deu certo, através de campanhas, troca de seringas, programas educacionais e tratamento universal para todos os brasileiros", disse.

Segundo ele, o Brasil foi um dos primeiros países em desenvolvimento a aplicar essa política de saúde pública. "É uma política que deu certo e que hoje é um exemplo para o mundo inteiro", disse o representante da ONU.

Agência Brasil