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Armas de fogo no Brasil matam mais que guerras

27 de junho de 2005 16h02 atualizado às 16h59

O número de mortes por armas de fogo registradas no país nos últimos 10 anos superou o número de vítimas de 26 conflitos armados no mundo, entre eles a Guerra do Golfo e a disputa territorial entre Israel e Palestina. Os dados são de um estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A pesquisa "Mortes Matadas por armas de fogo no Brasil de 1979 a 2003" foi divulgada nesta segunda-feira em Brasília.

Segundo a Unesco, morreram no Brasil 325,551 mil pessoas por armas de fogo, uma média de 32,555 mil mortes por ano, nesse período.

"O Brasil, infelizmente, é campeão mundial por homicídios com armas de fogo, e a Unesco, mais um vez, com esta publicação, nos permite atualizar dados, informações, refazer o diagnóstico e sobretudo nos coloca novos argumento para que possamos nessa semana convencer a Câmara dos Deputados a votar o projeto de decreto legislativo que marca o referendo", afirmou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), autor do projeto de decreto legislativo que autoriza a consulta popular sobre armas de fogo.

O estudo, coordenado pelo sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, revela que, entre 1979 e 2003, as armas de fogo tiraram a vida de 550 mil pessoas. Em 24 anos, as vítimas de armas de fogo cresceram 461,8%, enquanto a população aumentou apenas 51,8%.

Segundo a pesquisa, em 1979, as mortes por armas de fogo representavam 1% do total de óbitos do país. No ano de 2003, as armas já eram responsáveis por 3,9% do total de mortes. O uso de armas de fogo foi maior nos homicídios, que registraram crescimento de 542,7% no período da pesquisa. Os suicídios por armas de fogo cresceram 75% e as mortes causadas por acidentes com armas de fogo caíram 16,1%.

Do total de mortos por armas de fogo entre 1979 e 2003, 205.722, ou 44,1% foram jovens entre 15 e 24 anos. Nessa faixa etária, a mortalidade por armas de fogo passou de 7,9%, em 1979, para 34,4% em 2003, o que, segundo a pesquisa, significa que um em cada três jovens que morrem no país é ferido por bala.

As armas de fogo também aparecem na pesquisa como a terceira causa de morte entre os brasileiros, atrás somente das doenças do coração e das doenças cerebrovasculares. Entre os jovens, contudo, as armas de fogo aparecem na pesquisa como a principal causa de mortalidade. Em seguida, vêm as mortes no trânsito.

"Essa realidade não pode continuar. Mais do que nunca as pessoas precisam entender que todo país do mundo que tirou as armas de circulação teve como conseqüência disso a diminuição da criminalidade e da violência", afirmou Renan Calheiros.

Agência Brasil