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 PR: Polícia Civil interrompe tarefas antes de greve no sábado
16 de fevereiro de 2012 17h54 atualizado às 18h05

Roger Pereira
Direto de Curitiba

Após rejeitar, na noite de quarta-feira, uma proposta de reajuste de 26% e aprovar indicativo de greve, a Polícia Civil do Paraná iniciou uma operação padrão nesta quinta-feira. Segundo o Sindicato das Classes Policiais Civis (Sinclapol), os policiais deixaram de realizar tarefas que não são suas atribuições, mas vinham sendo acumuladas. O sindicato também comunicou ao governo que, a partir das 0h do sábado de Carnaval, apenas 30% dos 4 mil policiais do estado trabalharão, conforme determina a lei para greves em serviços essenciais.

Desde a manhã desta quinta-feira, os policiais civis não estão fazendo a escolta de presos. Além disso, durante as visitas, deixaram de atender familiares de detentos que estão nas delegacias. "Policiais têm de revistar pessoas como se um distrito policial fosse um presídio. Isso não será feito e a consequência será a suspensão das visitas", afirmou o presidente do sindicato, André Gutierrez.

Ele informou ainda que, em alguns distritos, onde a categoria também é responsável por preparar a alimentação dos detentos, o serviço também deixou de ser feito. "Policial civil não pode servir como cozinheiro para preso. O governo terá de dar um jeito nessa situação." A Polícia Civil também deixou de aceitar presos em regime semiaberto nas delegacias.

O vice-presidente do sindicato, Neylor Liberato Souza, disse que, cumprindo apenas com suas obrigações legais, a Polícia Civil vai intensificar sua ação. "Vamos atrás de todas as informações. Estourar cassinos, bocas de tráfico, prostituição, fazer flagrantes", disse, lembrando a operação de janeiro, quando, à revelia de qualquer comando, os investigadores fecharam uma casa que funcionava como cassino e local de prostituição, conhecida por ter clientes importantes na sociedade curitibana. "O único jeito de a greve não acontecer sábado é o governo apresentar uma nova tabela", avisou.

Propostas recusadas
O governador do Paraná, Beto Richa, anunciou ontem uma proposta de reajuste de 23% para a Polícia Militar e 26% para a Polícia Civil, mas as duas corporações recusaram a oferta e mantêm a ameaça de greve. "Suspendemos a manifestação do mês passado porque o governo prometeu uma proposta até terça-feira, e nada foi apresentado. Ontem, um dia depois do prazo, aparece essa proposta de 26%, muito aquém de nossas reivindicações. Por entender que a classe está sendo desrespeitada, aprovamos o indicativo de greve", afirmou André Gutierrez.

"Nossa carreira exige nível superior, é insalubre, há risco de vida, é de extrema responsabilidade. Um salário inicial digno, para o policial civil, seria de R$ 5,7 mil", disse o presidente do Sindicato dos Investigadores da Policia Civil, Roberto Ramires. Pela proposta de reajuste do governo, o salário dos policiais civis em início de carreira iria para R$ 2,7 mil.

Os policiais militares também rejeitaram, por ampla maioria, a proposta de reajuste de 23% que passaria o salário inicial de um PM para R$ 3 mil. Diferentemente dos civis, no entanto, esse grupo aposta em mais uma rodada de negociações antes de falar em greve. "Teremos uma assembleia na sexta-feira e queremos voltar a negociar com o governo depois do Carnaval. Essa palavra (greve) ainda não está no nosso dicionário", disse o presidente da Associação dos Praças da PM do Paraná, sargento Orélio Fontana Neto.

O coronel Elizeo Ferraz Furquim, presidente da Associação de Defesa dos Direitos dos Policiais Militares, também acredita em mais negociação. "Essa proposta não nos convenceu, mas acredito que as negociações não terminaram. Só quando não houver mais possibilidade de entendimento que estudaremos medidas radicais como a greve", disse. Furquim ainda lembrou que esse reajuste só está sendo oferecido para os policiais da ativa. "E os policiais da reserva, que arriscaram suas vidas e acumularam perdas durante todos esses anos?", questionou.

O governador Beto Richa (PSDB) disse que a proposta foi o máximo a que o governo conseguiu chegar "após estudos criteriosos, cuidando para não atingir o limite da Lei de Responsabilidade Fiscal".

Os quase R$ 3 mil propostos de salário inicial estão bastante distantes dos R$ 4,5 mil pedidos pela PM. "Esse reajuste representa 17,5% de aumento real. É impossível se atingir o que os policiais pedem, porque não posso quebrar o Estado para atender todas as reivindicações salariais. Mas 23%? Eu não sei de qualquer categoria que teve um reajuste desses ao longo de um ano", disse o governador.

Sobre a reclamação dos policiais de que vêm acumulando perdas há 13 anos, Richa disse não poder fazer milagre. "Não tem passe de mágica para repor perdas de 13 anos. Eu tenho que zelar pela boa aplicação do recurso público, dinheiro que pode faltar na educação, saúde, infraestrutura."

Especial para Terra