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 Rio abre processo para punir oficiais que participaram de greve
15 de fevereiro de 2012 16h29

Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

O secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, determinou o indiciamento de três oficiais que participaram do movimento de greve na PM do Rio. Os coronéis Paulo Ricardo Paul e Adalberto de Souza Rabello, além do major Hélio Silva de Oliveira, serão julgados por um conselho e poderão ser expulsos da corporação.

Ambos integram o quadro de oficiais da reserva. Eles são apontados como líderes do movimento e teriam incitado os outros policiais e bombeiros a cruzar os braços. Os três fazem parte do grupo de 20 militares que estão em prisão preventiva. Foi entregue nesta quarta-feira à Justiça pedido do comandante-geral da PM, Erir da Costa Filho, para que o grupo seja transferido a unidades prisionais dos Bombeiros e da própria corporação. Eles estão detidos desde sábado no presídio de Bangu 1.

A greve foi anunciada na sexta-feira, mas teve poucas adesões, e terminou oficialmente na última segunda-feira. Além disso, o governo adotou uma linha dura para conter o movimento, endurecendo as regras disciplinares e indiciando e prendendo dezenas de militares.

A greve no Rio
Policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro confirmaram, no dia 9 de fevereiro, que entrariam em greve. A opção pela paralisação foi ratificada em assembleia na Cinelândia, no Centro, que reuniu pelo menos 2 mil pessoas.

Dois dias depois, alegando falta de adesão, os policiais civis deixaram o movimento. A orientação do movimento era que apenas 30% dos policiais civis ficassem nas ruas durante a greve, mas o clima era de normalidade na maior parte do Estado.

Os militares foram orientados a permanecer junto a suas famílias nos quartéis e não sair para nenhuma ocorrência, o que deveria ficar a cargo do Exército e da Força Nacional, que já haviam definido preventivamente a cessão de 14,3 mil homens para atuarem no Rio em caso de greve.

Os bombeiros prometem uma espécie de operação padrão. Garantem que vão atender serviços essenciais à população, especialmente resgates que envolvam vidas em risco, além de incêndios e recolhimento de corpos. Os salva-vidas que trabalham nas praias devem trabalhar sem a farda, segundo o movimento grevista. Mas, segundo a corporação, apenas o grupamento da Barra da Tijuca aderiu à paralisação.

Policiais e bombeiros exigem piso salarial de R$ 3,5 mil. Atualmente, o salário base fica em torno de R$ 1,1 mil, fora as gratificações. O movimento grevista quer também a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, detido administrativamente na noite de quarta-feira e com prisão preventiva decretada, acusado de incitar atos violentos durante a greve de policiais na Bahia.

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