Entidades que representam os policiais militares e bombeiros do Distrito Federal realizam na noite desta quarta-feira, em Taguatinga (DF), uma assembleia conjunta para definir as reivindicações da categoria ao governo do Distrito Federal (GDF). A expectativa é reunir na Praça do Relógio entre 10 mil e 15 mil pessoas, entre praças (soldados, cabos, sargentos e subtenentes, ou seja, policiais não graduados), oficiais e familiares.
Os militares cobram aumento salarial e o imediato cumprimento de propostas que, segundo as entidades, foram promessas realizadas pelo governador Agnelo Queiroz (PT) durante campanha eleitoral.
"Não temos a intenção de colocar em votação, hoje, uma paralisação, mas se o governo não clarear (negociar), isso vai ser construído. Os militares estão insatisfeitos e não aguentam mais", disse o vice-presidente da Associação Praças Policiais Militares do DF (Aspra), segundo-sargento Manoel Sansão Alves Barbosa. Ele afirmou que, após 32 anos de corporação, recebe, na inativa, um salário-base de R$ 1.037 que, com as gratificações, alcança R$ 3.139. "Dizer que ganhamos muito não leva em conta o custo de vida da capital federal e as particularidades do nosso trabalho, responsáveis por zelar pela segurança de autoridades do mundo inteiro que vem à cidade."
Na semana passada, líderes do movimento disseram à Agência Brasil que, caso o GDF não dê sinais de estar disposto a atender às reivindicações, não está descartada a possibilidade de uma paralisação às vésperas do Carnaval.
Os oficiais, porém, evitaram falar em paralisação e procuraram desvincular a mobilização local com a de outros Estados, como Bahia e Rio de Janeiro. Em uma reunião no último sábado, quando a Associação dos Oficiais do Corpo de Bombeiros Militares do Distrito Federal decidiu participar da assembleia de hoje, o presidente da entidade garantiu que por enquanto o grupo não pensa em greve. Já Sérgio Souza, presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar do Distrito Federal, limitou-se a destacar a insatisfação da categoria com a falta de abertura do governo para discutir propostas.
Enquanto os oficiais evitam falar em percentuais de reajustes e focam o discurso na equiparação salarial com a Polícia Civil do DF - que, segundo eles, é melhor remunerada -, os praças cobram um aumento de 52%. O índice foi fixado tomando por base o aumento de 58,06% do Fundo Constitucional entre os anos de 2008 e 2012. Criado em 2002, o fundo é uma modalidade de transferência de recursos da União para o governo do Distrito Federal custear, integralmente, os gastos com segurança pública e, parcialmente, as despesas com saúde e educação.
Os praças também discutem o retorno do pagamento do adicional de inatividade, no valor de R$ 900; a criação do vale-transporte; e o reajuste no auxílio-alimentação para R$ 900, entre outros itens que estarão na pauta da reunião desta quarta-feira.
- Agência Brasil
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