O ex-presidiário Tiago Fernandes Santos entrou na lista de mais procurados pela Polícia Civil da Bahia após ter sido apontado como autor de homicídios e tiroteios no Guarani e Nossa Senhora Aparecida, periferia de Vitória da Conquista, a 509 km de Salvador. Fontes ligadas à Delegacia de Homicídios informaram que Tiago Sal, como é mais conhecido, teria participado direta e indiretamente de pelo menos cinco dos 11 homicídios registrados na cidade durante a greve da PM. A polícia representou à Justiça pela nova prisão do acusado.
Apontado como integrante de uma quadrilha armada, envolvida com o tráfico, roubos e homicídios na cidade, Tiago Sal lidera um grupo que, segundo os investigadores, disputa o domínio da venda de drogas nos bairros em que ocorreram os crimes.
Ainda durante a greve da PM, a polícia civil registrou o roubo de 65 motos e 10 carros. O delegado coordenador, Odilson Pereira, disse que a situação voltou ao normal, mas ainda não divulgou o comparativo nesse período de 11 dias de inatividade da PM, com o mesmo de 2011.
Os prejuízos com o fechamento de lojas, escolas e paralisação de taxis e ônibus urbanos, além de depedrações em vidraças, saques e roubos em estabelecimentos, também por conta da greve, ainda estão sendo contabilizados. Esta semana a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) deve convocar reunião com os associados para avaliar os dias parados.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro, quando os grevistas acamparam em frente à Assembleia Legislativa em Salvador e posteriormente ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência na capital e região metropolitana, dobrando o número de homicídios em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de provocar o cancelamento de shows e eventos, a ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
A paralisação, que terminou 12 dias depois, servia para reivindicar a criação de um plano de carreira para a categoria, além do pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
O Executivo estadual solicitou o apoio do governo federal para reforçar a segurança. Cerca de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. Dois dias após o início da greve, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando sua ilegalidade e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspendesse o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos, sendo que quatro foram cumpridos.
Em 9 de fevereiro, Marco Prisco, um dos líderes do movimento grevista, foi um dos presos, após a desocupação do prédio da Assembleia. A decisão ocorreu um dia depois da divulgação de gravações telefônicas que mostravam chefes da paralisação planejando ações de vandalismo na capital baiana. Um dos trechos mostrava Prisco ordenando a um homem que ele bloqueasse uma rodovia federal.
- Agência A Tarde



Assista agora »
Assista agora »
