- Joyce Carvalho
- Direto de Curitiba
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) no Paraná determinou que seja assegurado o funcionamento de pelo menos 50% dos ônibus do transporte coletivo de Curitiba durante o dia e 70% nos horários de pico. Motoristas e cobradores entraram em greve por tempo indeterminado na madrugada desta terça-feira e, desde o período, nenhum ônibus circulou em Curitiba e região metropolitana.
O descumprimento da determinação acarretará em multa diária de R$ 100 mil para o Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc). O TRT acatou um pedido liminar do Ministério Público do Trabalho para retomar o serviço. A falta do transporte coletivo deixou hoje o trânsito caótico na capital do Estado.
Foi realizada no final da tarde uma audiência de conciliação no TRT. O sindicato patronal aumentou um pouco a proposta inicial, saltando de 7% para 8% de reajuste salarial e vale-alimentação de R$ 105 para R$ 200. A proposta não agradou inicialmente a categoria em greve, que levou o assunto para discussão em assembleia. O encontro ocorreu no início da noite de hoje, e os motoristas e cobradores rejeitaram a proposta e decidiram continuar em greve. A categoria pede pelo menos um reajuste salarial entre 15% a 20%. A reivindicação inicial era de 40%. Além disso, eles querem aumento de 300% no vale-alimentação.
Uma audiência foi marcada para 11h de amanhã no TRT para tentar novamente a conciliação entre as partes. Enquanto isto, a Urbanização de Curitiba (Urbs), que administra o transporte coletivo na cidade, enviará uma tabela com horários e quantos ônibus devem circular a partir de quarta-feira, segundo a determinação judicial.
Além disso, a Urbs começou o credenciamento de vans para atender a população que está sem ônibus. Todas, no entanto, devem passar por uma vistoria oficial antes de obter a autorização provisória para funcionar como uma lotação. O preço máximo da corrida será de R$ 5.
Houve grande procura dos motoristas para conseguir o credenciamento e atender a população, que ficou sem alternativa nesta terça-feira. Quem pôde, recorreu a caronas ou utilizou o carro que normalmente fica na garagem. Os táxis não deram conta da demanda. A certa altura da manhã, as centrais de rádiotáxi deixaram de atender às ligações.
A Urbs, que também gerencia a frota de táxi, alerta os passageiros para que paguem apenas os valores das corridas indicados nos taxímetros. A cobrança de valores extras deve ser denunciada pelo telefone 156.
Uma primeira liminar concedida pela Justiça Cível a favor da Urbs durante a madrugada desta terça-feira determinava a circulação de 80% dos ônibus nos horários de pico e 60% no restante dos períodos. No entanto, essa decisão não foi cumprida pelo Sindimoc. Os motoristas e cobradores fizeram piquetes em frente às garagens das empresas de ônibus, impedindo qualquer acesso.
O Ministério Público do Paraná divulgou hoje que a Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba instaurou inquérito civil para apurar os danos causados pela greve aos usuários do transporte coletivo.
- Especial para Terra


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