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 PMs são suspeitos de '25 a 30' homicídios durante greve na BA
14 de fevereiro de 2012 09h14

O secretário de Segurança Pública promete investigar se há ligação entre grevista e crimes. Foto: Fernando Borges/Terra

O secretário de Segurança Pública promete investigar se há ligação entre grevista e crimes
Foto: Fernando Borges/Terra

Durante os 12 dias de greve da Polícia Militar na Bahia, 45 dos 180 assassinatos registrados pela polícia na Grande Salvador tiveram características de extermínio, disse nesta segunda-feira o delegado Arthur Gallas, diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). O delegado suspeita de que "25 a 30" destes casos tenham participação de militares. As informações são do jornal O Globo.

Nos crimes, as vítimas foram algemadas ou amarradas e atingidas na cabeça por assassinos encapuzado, que chegaram aos locais em carros com placas clonadas e com armas de grosso calibre. "Tivemos que analisar e separar o que foi ocasionado em decorrência da greve daqueles que fora praticados independentemente dela. A ligação com os grevistas está em investigação, ainda não temos essa ligação", disse o secretário de Segurança Pública, Maurício Barbosa. Até ontem, apenas cinco assassinatos haviam sido solucionados.

A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro, quando os grevistas acamparam em frente à Assembleia Legislativa em Salvador e posteriormente ocuparam o prédio. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência na capital e região metropolitana, dobrando o número de homicídios em comparação ao mesmo período do ano passado. Além de provocar o cancelamento de shows e eventos, a ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.

A paralisação, que terminou 12 dias depois, servia para reivindicar a criação de um plano de carreira para a categoria, além do pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.

O Executivo estadual solicitou o apoio do governo federal para reforçar a segurança. Cerca de 3 mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. Dois dias após o início da greve, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando sua ilegalidade e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspendesse o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos, sendo que quatro foram cumpridos.

Em 9 de fevereiro, Marco Prisco, um dos líderes do movimento grevista, foi um dos presos, após a desocupação do prédio da Assembleia. A decisão ocorreu um dia depois da divulgação de gravações telefônicas que mostravam chefes da paralisação planejando ações de vandalismo na capital baiana. Um dos trechos mostrava Prisco ordenando a um homem que ele bloqueasse uma rodovia federal.

Terra