Policiais e bombeiros do Rio se reuniram ontem na Cinelândia para votar indicativo de greve
Foto: Luiz Gomes/Futura Press
O diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Francisco Chao, disse na manhã desta sexta-feira que o movimento grevista iniciado à 0h é "pacífico e ordeiro" e que não serão permitidas ilegalidades. "Não vamos tolerar qualquer desvio legal. Se existir ordem de prisão legal, vamos nos apresentar", completou Chao, em entrevista coletiva com a participação de representantes das polícias Civil e Militar e do Corpo de Bombeiros.
Na coletiva, eles reconheceram o avanço da proposta do governo, que foi reformulada e aprovada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, mas avaliaram que as conquistas não são suficientes. Os agentes de segurança pública disseram que querem discutir detalhes do projeto, entre eles os critérios para a continuidade do pagamento das gratificações, que foram mantidas só em caso de acidentes de trabalho.
Segundo Francisco Chao, os profissionais não queriam o desgaste do movimento, mas as categorias chegaram ao limite. O sargento do Corpo de Bombeiros Wallace Rodrigues destacou que os grevistas querem o diálogo com o governo e que isso vem sendo pedido há um mês. De acordo com ele, os profissionais não querem acabar com o Carnaval do Rio de Janeiro e, nos oito dias que faltam para a festa popular, o governo pode abrir as tratativas.
"De forma alguma desejamos acabar com o Carnaval do Rio de Janeiro. Estamos abertos ao diálogo", disse o militar, acrescentando que o primeiro item da pauta é a libertação do cabo Benevenuto Daciolo, que está preso no Presídio Bangu 1, no sistema carcerário de Gericinó, na zona oeste da cidade, desde a última quarta-feira.
A greve no Rio
Policiais civis, militares e bombeiros do Rio de Janeiro confirmaram, no dia 9 de fevereiro, que entrariam em greve. A opção pela paralisação foi ratificada em assembleia na Cinelândia, no Centro, que reuniu pelo menos 2 mil pessoas.
A orientação do movimento é que apenas 30% dos policiais civis fiquem nas ruas durante a greve. Os militares foram orientados a permanecerem junto a suas famílias nos quartéis e não sair para nenhuma ocorrência, o que deve ficar a cargo do Exército e da Força Nacional, que já haviam definido preventivamente a cessão de 14,3 mil homens para atuarem no Rio em caso de greve.
Os bombeiros prometem uma espécie de operação padrão. Garantem que vão atender serviços essenciais à população, especialmente resgates que envolvam vidas em risco, além de incêndios e recolhimento de corpos. Os salva-vidas que trabalham nas praias devem trabalhar sem a farda, segundo o movimento grevista.
Policiais e bombeiros exigem piso salarial de R$ 3,5 mil. Atualmente, o salário base fica em torno de R$ 1,1 mil, fora as gratificações. O movimento grevista quer também a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Daciolo, detido administrativamente na noite de quarta-feira e com prisão preventiva decretada, acusado de incitar atos violentos durante a greve de policiais na Bahia.
- Agência Brasil











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