PMs em greve estão acampados na Assembleia, onde o Exército montou um cerco
Foto: Agência A Tarde
Houve um princípio de tumulto na noite desta quarta-feira em frente à Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, onde policiais militares em greve estão acampados. Por volta das 20h, policiais tentaram furar o cerco do Exército e entrar no prédio para se unirem aos amotinados.
Na tentativa, quatro homens conseguiram burlar a segurança das tropas federais e entraram na Assembleia. Em seguida, porém, houve reforço no cerco e mais ninguém conseguiu passar.
Hoje, nono dia de paralisação, os ânimos ficaram exaltados entre o movimento grevista: houve novo desentendimento entre os manifestantes e os militares do Exército devido à mudança na posição das cercas que estão ao redor do prédio. O presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), Marco Prisco, chegou a dizer que os grevistas se preparavam para um embate. "A movimentação está diferente e também estamos nos preparando."
A chegada de viaturas com PMs em serviço ao Centro Administrativo da Bahia (CAB) também irritou os manifestantes. Além disso, a liberação da entrada de mantimentos e medicamentos para os amotinados, que tinha sido concedida na terça-feira, voltou a ser suspensa hoje. Idaci Vasconcelos, mulher de um PM acampado, tentou levar os remédios para o marido, que é hipertenso e já sofreu dois infartos, mas foi barrada.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
- Agência A Tarde



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