Com o rosto escondido, morador protesta em frente a fogueira de contêineres e móveis
Foto: Mario Ângelo/Futura Press
Moradores da Favela do Corujão, na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, protestaram na tarde desta quarta-feira contra uma ação de desocupação empreendida pela prefeitura. Segundo a Polícia Militar, cerca de 30 manifestantes bloquearam ruas e atearam fogo a móveis, restos de pneus pedaços de madeira e contêineres de lixo.
O protesto ocorre três dias depois de um incêndio que deixou duas pessoas mortas na favela. Contatada, a subprefeitura de Vila Guilherme afirmou que, às 17h, a situação já estava controlada, sem o registro de feridos nem o uso de armamento não-letal por parte dos militares, informação corroborada pela PM.
A prefeitura informou ao Terra que a ação visa a "evitar que a área, que é pública, seja ocupada". Segundo a prefeitura, os manifestantes danificaram uma máquina que, a serviço da subprefeitura, fazia a limpeza do local.
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, as vítimas do incêndio na rua João Veloso Filho foram atendidas por equipe do Centro de Referência e Assistência Social (Cras) Vila Maria / Vila Guilherme. "Foram atendidas 61 famílias, totalizando 304 pessoas. Os benefícios concedidos foram 288 colchões, 288 cobertores, 90 cestas básicas e 66 kits higiênicos. Uma estrutura foi montada na igreja Assembleia de Deus, bem ao lado do ocorrido. Outros centros religiosos estão canalizando suas doações para a referida igreja", informa nota enviada ao Terra.
Ainda de acordo com a prefeitura, a igreja abrigou pessoas que não tinham para onde ir, enquanto a maioria foi para a casa de amigos ou familiares. A Secretaria de Habitação deve efetuar pagamento de R$ 1,2 mil referentes a quatro meses de auxílio aluguel emergencial para as famílias que tiveram suas casas atingidas. Elas serão, ainda, incluídas no Programa Parceria Social.
O incêndio atingiu a favela do Corujão na manhã de domingo. Segundo informações do Corpo de Bombeiros, 24 viaturas estiveram no local para apagar o fogo, que matou duas pessoas e deixou outras duas feridas. Em dezembro do ano passado, a favela do Moinho, no bairro de Campos Elíseos, na região central da capital paulista, também pegou fogo, deixando cerca de 300 famílias desabrigadas.
- Terra






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