Soldados do Exército fazem a proteção de crianças liberadas pelos policiais militares em greve
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil
Casas lotéricas, agências bancárias e o Fórum do município de Barreiras, no extremo oeste da Bahia, fecharam as portas nesta quarta-feira devido ao clima de insegurança causado pela greve da Polícia Militar. Aulas também foram canceladas.
Cerca de 50% das lotéricas não funcionaram na cidade. Entre as agências bancárias, as unidades da Caixa Econômica Federal foram fechadas às 12h e as quatro agências do Banco do Brasil funcionam apenas com os caixas de autoatendimento.
Conforme aviso afixado nas portas do Banco do Brasil, o atendimento voltará ao normal após o fim da greve dos PMs. "Para mim, só os caixas de autoatendimento não resolvem. Preciso falar com o gerente. Agora vou ter que esperar e contabilizar o prejuízo", disse a enfermeira Cátia Bastos.
Na condição de administrador do Fórum da Comarca de Barreiras, o juiz da primeira Vara Cível Ronald de Souza Tavares Filho também decidiu pelo fechamento do Fórum, considerando que não havia segurança suficiente para o funcionamento normal.
"Viajei de Brasília para Barreiras para resolver uma pendência no Fórum. Agora chego na cidade e o Fórum está fechado por causa da greve. Quem vai pagar meu tempo perdido e o combustível gasto à toa?", disse a advogada Marinêz Bento.
Na cidade também foram canceladas as aulas noturnas na maioria dos cursos de graduação e pós-graduação de faculdades e universidades públicas e privadas. Já no campus do Instituto Federal da Bahia (IFBA) em Barreiras as aulas estão canceladas nos três turnos, com previsão de retorno após o fim da greve dos PMs.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
- Agência A Tarde



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