Cerca de 140 associações e comerciantes da Bahia vão ingressar com ações judiciais contra o Estado motivados pelos prejuízos causados pela greve da Polícia Militar da Bahia. "Esta greve trata-se de segurança pública e esse é um dever do Estado, conforme diz o Artigo 6º da Constituição Federal", argumenta o advogado Cândido Sá, cujo escritório vai representar as causas. "Independente do motivo da greve, o resultado final é que o comerciante está com as suas vendas comprometidas pela falta de segurança pública", diz Cândido Sá.
Além de comerciantes de Salvador, procuraram o escritório lojistas de Lauro de Freitas, Vitória da Conquista, Cruz das Almas, Feira de Santana e Luís Eduardo Magalhães. Para dar início ao processo, é necessário que o lojista apresente o contrato social e o último balancete da loja.
Prejuízo milionário
Na Liberdade, bairro que sofreu vários saques desde quinta-feira, o comércio reabriu as portas. Mas algumas lojas, como as da rede Insinuante, optaram por continuar com as atividades suspensas.
O gerente da loja Stock Enxovais, Fábio Lima, fala sobre o clima de apreensão no comércio da Estrada da Liberdade. "As lojas estão abrindo um pouco mais tarde e fica um esperando o outro abrir a loja para abrir a sua também. Estamos apreensivos porque ainda não vimos policiamento nas ruas. Vamos ficar atentos aos boatos de arrastão. Se houver algum, vamos fechar", disse Fábio.
Situações como essa têm gerado um prejuízo milionário ao varejo baiano. "Há um custo violentíssimo nesta não geração de negócios. De terça a domingo, o prejuízo foi acima de R$ 200 milhões", estima o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio do Estado da Bahia (Sindilojas), Paulo Motta.
Prejudicados
O comércio do Estado reúne 45 mil lojas e gera 255 mil empregos diretos. O diretor do Conselho do Comércio da Câmara de Dirigentes Lojistas de Salvador (CDL), Haroldo Nunes, afirma que os micro e pequenos empresários são os mais prejudicados pela insegurança no Estado. "São comércios familiares e que não têm seguro contra furtos", disse.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
- Agência A Tarde



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