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 AL: Justiça afasta 2º prefeito de cidade por desvios na educação
07 de fevereiro de 2012 06h54 atualizado às 11h31

Odilon Rios
Direto de Maceió

A vice-prefeita de Traipu (AL), Juliane Machado, que ocupava o posto de prefeita, foi afastada do cargo por 180 dias, por ordem da Justiça Federal, acusada de desviar R$ 440.089,29 em verbas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A acusação foi movida pelo Ministério Público Federal. No lugar dela assume a presidente da Câmara, Conceição Tavares.

Traipu é a segunda cidade mais pobre do Brasil e acumula o segundo prefeito afastado em dois meses. O primeiro foi Marcos Santos (PTB), preso três vezes, em cinco operações da Polícia Federal, todas por desviar verba da merenda escolar, do Programa Nacional de Transporte Escolar e outras verbas públicas.

No caso de Juliane Machado - casada com Marcos Santos Filho, filho do prefeito afastado -, o MPF identificou que, mesmo preso, era Marcos Santos quem mandava na cidade, ordenado pela vice na titularidade da função. Há duas semanas, o Terra mostrou que Marcos Santos e o ex-deputado federal (preso por assassinato) Francisco Tenório organzaram uma festa de Natal, na cadeia, só descoberta recentemente porque a família de um dos políticos postou a foto no Facebook. A Casa de Custódia, onde estavam presos, foi desativada.

Segundo o MPF, Juliane cometeu cinco crimes à frente da administração, incluindo fraude em licitações e favorecimento irregular de empresas, além de comprar em supermercados da região, com a primeira-dama, objetos pessoais com verba da merenda escolar, enquanto as crianças das escolas públicas comiam bolacha com suco em pó, dissolvido na água, durante o recreio.

"Segundo relata o Sr. Peterson Melo e Silva, funcionário do grupo 15 de Novembro, que fez acordo de delação premiada, as demandadas Jullyane Tavares e Juliana Kummer primeira-dama, mulher de Marcos Santos realizavam compras pessoais no Supermercado 15 de Novembro, pagando tais compras com a verba federal destinada à merenda escolar", diz a ação do MPF.

Um dos depoimentos aponta que a vice-prefeita, na titularidade do cargo, não manda na cidade. "Marcos Santos Continua exercendo o cargo de prefeito, pois a demandada Jullyane seria apenas seu longa manus. No mesmo depoimento, afirma que quando vice-prefeita, Jullyane Tavares não ia à sede do Executivo Municipal e, agora, como prefeita, continua não sendo muito vista por lá. Continua relatando algumas condutas que comprovariam a atuação improba da demandada, como no caso das sobras de verbas do Fundeb, onde a atual prefeita, após consulta com Marcos Santos, teria dado destino diverso do previsto em lei", diz Peterson em um dos depoimentos ao MPF.

Nas três operações da PF, em Traipu, foi descoberto que o prefeito afastado Marcos Santos montou um superesquema de monitamento, com câmeras espalhadas pela cidade e controladas da casa dele - quem entrava na cidade tinha de ter autorização do prefeito. Com o dinheiro desviado (R$ 16 milhões ao todo), comprou uma lancha, caçambas, carros de luxo e populares e pelo menos quatro fazendas, com milhares da cabeças de gado - todas com a marca MS, de Marcos Santos.

Especial para Terra