Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que questão é social e econômica
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
O Governo brasileiro ofereceu ao Fórum Social Mundial sua cooperação nos planos de redução da miséria, área na qual tem uma vasta experiência reconhecida até mesmo pela Organização das Nações Unidas, declarou neste sábado a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello. "A novidade que o Brasil tem para oferecer abrange do ponto de vista econômico até o ambiental", disse a ministra à Agência Efe. Ela acrescentou que a superação da miséria deve acontecer mediante inclusão real e cuidado com o ecossistema em regiões sensíveis. Campello é uma das sete autoridades do Governo brasileiro que participaram durante esta semana do Fórum Social Temático em Porto Alegre, no qual discursou na quinta-feira a presidente Dilma Rousseff.
No Fórum, a ministra fez contatos com diversas redes de movimentos sociais para tratar de planos de cooperação na luta contra a fome e a miséria, em um molde similar aos já desenvolvidos com diversos países da América Latina e África. Segundo ela, os planos aplicados no país desde 2003 visam incluir os pobres primeiro, para depois poder crescer de forma sustentável.
"Contamos com a classe média, mas também queremos contar com os pobres e com os extremamente pobres", disse Campello. De acordo com dados oficiais, na última década foram tirados da pobreza 28 milhões de pessoas e outros 40 milhões chegaram à classe média no país.
As bases fundamentais desses programas são a revalorização do salário mínimo, uma oferta de crédito e microcrédito forte, maior apoio à agricultura familiar, transferência de renda e promoção de cooperativas, tanto no campo como na cidade, afirmou. No caso do campo, onde se situa a maior parte dos pobres e extremamente pobres do país, esses apoios se somam a créditos para a compra de maquinarios, ofertas de sementes e ampliação de um programa governamental de aquisição de alimentos.
Campello afirmou que sob estes programas sociais estão atualmente cerca de 50 milhões de pessoas, mas admitiu que há outros 16 milhões que ainda vivem na extrema pobreza, com renda menor a US$ 1,25 por dia. Os planos futuros para essa população que ainda vive na miséria abrangem serviços de saúde e educação em áreas onde ainda não chegaram os serviços do Estado. Outro ângulo dessa ação é ampliar a rede de ensino, com escolas em dois turnos.
"É uma questão de solidariedade humana, mas também é parte de uma estratégia de crescimento (econômico)", resumiu a ministra.

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