Dois homens, pai e filho, foram assassinados com 18 tiros, por volta das 10h15 desta sexta-feira em Salvador. Segundo policiais militares da 82ª Companhia Independente, primeiros a chegar à cena do crime, nenhum objeto de valor foi subtraído do empresário nem do filho, que foram mortos no interior do veículo. No local do crime, segundo os soldados que atenderam a ocorrência, foram encontradas as carteiras de ambos, com dinheiro e documentos, telefones celulares, além da máquina fotográfica digital.
Integrantes da polícia e do Ministério Público estão considerando a disputa pela posse de um terreno na Avenida Paralela como o motivo por trás do duplo assassinato de André Cintra Santos, 54 anos, e o filho dele, o estudante de engenharia ambiental Matheus Braga Cintra, 21 anos. Executados no terreno em questão, próximo ao Parque de Exposições, local palco de espetáculos e eventos de grande porte, o imóvel, de propriedade de André, seria alvo de empresários. Testemunhas contaram à polícia que dois homens, em um veículo, surpreenderam pai e filho, enquanto estes fotografavam uma placa instalada pela Superintendência de Trânsito e Transporte de Salvador (Transalvador) no terreno. O delegado Alex Gabriel Chehade, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), presidiu o levantamento cadavérico e confirmou que as primeiras apurações indicaram que "existia uma briga pela posse do terreno". "As vítimas fotografavam uma placa (a qual informava que o terreno poderia ser usado como estacionamento sem cobrança de taxa). Apuramos que André iria explorar o local como estacionamento pago", relatou Chehade, acrescentando que a câmera do empresário foi encaminhada à perícia. "O empresário usava a máquina na hora do crime. Pode haver alguma pista", frisou o delegado. A continuidade das investigações ficará a cargo do delegado Jesus Pablo Barbosa, também do DHPP, que já havia colhido depoimentos de sete pessoas - três delas familiares das vítimas. O conteúdo dos depoimentos não foi revelado pelo delegado Barbosa. "Já temos linhas investigativas definidas, mas mantendo nosso trabalho sob sigilo", explicou. A movimentação de parentes e amigos na sede do DHPP foi intensa, mas ninguém quis falar à imprensa. Um funcionário do empresário, que não quis se identificar, informou que André fotografava a placa porque a Transalvador teria instalado a peça na quarta, "sem a permissão" do dono. "Ele perguntou aos homens da Transalvador, que eram dois, com que autorização eles estavam fazendo aquilo, o que gerou um princípio de discussão", relatou o funcionário, acrescentando que André planejava construir uma área de lazer no local, para ser usada pelos moradores do Bairro da Paz. "O que ele me dizia era que a população de Salvador ia ter orgulho da obra", lembrou o rapaz. "Quando recebi a notícia da morte dele, não acreditei, porque tinha ele como pai, não como um patrão", lamentou o funcionário. O advogado de André, James Adorno, revelou que o empresário foi orientado pelo Ministério Público a buscar programas de proteção à vida. Conforme Adorno, apesar de temeroso, André teria recusado a sugestão. O advogado ainda contou que André havia protagonizado uma discussão com desconhecidos na avenida Paralela, há uma semana. "Ele desconfiou que um veículo o seguia e, num posto, anotou a placa. Os dois homens a bordo do carro o interpelaram e André explicou ter feito aquilo porque sentia-se ameaçado", disse.- Agência A Tarde


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