Eloisa Arruda, secretária de Justiça e Defesa da Cidadania, afirmou que Cracolândia "já acabou, não existe mais"
Foto: Vagner Magalhães/Terra
- Vagner Magalhães
- Direto de São Paulo
Pouco mais de três semanas depois do início da operação policial Centro Legal, de combate ao tráfico de drogas na região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo, a secretária de Justiça e Defesa da Cidadania do Estado, Eloisa Arruda, afirmou que a Cracolândia "já acabou, não existe mais". Ela participou na manhã desta quinta-feira de um debate sobre o tema na seção paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Apesar das críticas de que os usuários foram apenas espalhados pela cidade e que o problema social e de saúde está longe de ser resolvido, ela se disse satisfeita com os resultados apresentados até agora. A Cracolândia fica na região central de São Paulo, próximo à Estação Júlio Prestes, ponto de maior concentração de usuários de crack.
"Aprendemos com o desacerto de outras iniciativas que não deram resultados. Tínhamos certeza que a operação apresentaria resultados e hoje temos o apoio da população, que é o que nós queríamos. Estamos fazendo investimento nas áreas de saúde e assistência social", afirmou.
Segundo ela, até o fim do ano passado, os traficantes não permitiam que a assistência social chegasse mais próximo dos usuários de drogas. "As informações que temos é de que nos horários de maior oferta de drogas, se juntavam ali cerca de 1 mil pessoas. Porém, moradores fixos da região eram cerca de 400. Até aqui, já conseguimos o início do tratamento voluntário de 160 pessoas e outras 300 atenderam o chamado da assistência social", afirmou.
Antonio Carlos Malheiros, desembargador do TJ-SP, disse no mesmo evento que houve acertos e erros na operação e que o trabalho em conjunto pode trazer resultados mais expressivos."A ausência do poder judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, em um primeiro momento, deixou em desamparo os usuários. A ação era para combater o tráfico. Combate contra o usuário não podemos aceitar. Não fomos chamados", disse ele.
Sobre a pouca presença de usuários de drogas na região da Cracolândia nos últimos dias, ele foi crítico. "Fico contente por quem mora na região, mas não podemos descuidar dos miseráveis. Quero uma cidade bonita, mas não se pode pura e simplesmente mandar essas pessoas para debaixo do tapete da sociedade", disse.
- Terra



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