Dilma chegou nesta quarta-feira a Porto Alegre, onde foi recebida pelo prefeito José Fortunati antes de participar do Fórum Social Temático
Foto: Roberto Stuckert Filho / PR/Divulgação
A presidente Dilma Rousseff será a estrela de quinta-feira no Fórum Social Temático, o grande evento dos grupos anticapitalistas em Porto Alegre, e depois viajará a Cuba sem ir ao Fórum Econômico Mundial de Davos (Suíça), que começa nesta quarta-feira.
"É um gesto da presidente que mostra o reconhecimento do Fórum Social Mundial, um movimento que foi muito importante e ajudou, por exemplo, na mudança do quadro de poder progressista na América Latina, incluindo a chegada à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003", disse Oded Grajew, um dos fundadores do evento.
A ida de Dilma a Porto Alegre, e não a Davos, "foi uma decisão política da presidente" que expressa uma opção por uma aproximação com os movimentos sociais, explicou uma fonte da Presidência. Ex-guerrilheira que enfrentou a ditadura e foi torturada na prisão, Dilma chega nesta quarta-feira a Porto Alegre, onde participará no dia seguinte de um ato público do fórum e de reuniões com os movimentos sociais.
Esta é uma versão mais reduzida do Fórum Social Mundial, que se estende até domingo, e preparatória da cúpula de desenvolvimento sustentável Rio+20, que a ONU realizará em junho no Brasil e na qual Dilma deve defender o desenvolvimento sustentável com prioridades sociais, como a erradicação da pobreza.
O Fórum Social e o Econômico de Davos acontecem na mesma semana e têm preocupações semelhantes: a grave crise global que afeta, principalmente, as economias da Europa e dos Estados Unidos, onde aumenta o descontentamento social, tema do fórum de Porto Alegre, que reivindica uma mudança radical do modelo capitalista.
Com poucas viagens internacionais, na terça-feira Dilma viaja a Cuba, onde o Brasil intensificou os projetos de investimento econômico, entre os quais o principal é a ampliação do porto de Mariel. Um dia depois estará no Haiti, país em que o Brasil lidera as tropas da ONU desde 2004 e tem projetos de cooperação contra a pobreza, apesar de recentemente ter adotado a implantação de vistos por causa da crescente migração de haitianos em busca de trabalho.
No Fórum Social, era evidente o interesse pela visita da presidente, com uma grande trajetória na esquerda e herdeira política de Lula. "Se a presidenta entende que o Fórum Social é o termômetro do povo, poderá ecoar suas demandas", disse Julio Farabelli, da Frente Continental de Organizações Comunitárias, de Porto Alegre, com membros de origem mexicana, cubana, argentina e uruguaia.
A presidente, que se comprometeu a eliminar a miséria no País, deve também receber críticas. A socióloga Rosa Fonseca pretende levar um cartaz com a frase "Dilma, não há futuro na sociedade mercantil", e os movimentos ecológicos pedem o veto à reforma do Código Florestal e a paralisação das obras da gigante hidrelétrica de Belo Monte.
"É muito bom que a presidente venha, porque indica que quer canais de diálogo com os movimentos sociais, mas a sociedade civil sabe que os governos só reagem sob pressão", resumiu o líder dos Sem Terra, João Pedro Stédile. O ministro das Relações Exteriores, Antônio Patriota, representará o governo brasileiro em Davos.

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