A Polícia Civil da Bahia busca o mandante e os autores do assassinato do soldado da Polícia Militar Tiago Serra Gonçalves, 24 anos, morto na noite de quarta-feira em Camaçari, na região metropolitana de Salvador (BA). Segundo a polícia, uma adolescente de 16 anos, amante do PM, seria o pivô do crime.
Segundo o major Ricardo Passos, comandante da 40ª CIPM e coordenador das Bases Comunitárias de Segurança do Nordeste de Amaralina, onde Tiago era lotado, a garota marcou um encontro com o soldado, a mando do traficante conhecido como Nilson, o Gordo, para terminar o relacionamento que estavam mantendo. Quando o PM chegou à Vila Laurino, em Vilas de Abrantes, foi executado com quatro tiros no rosto e posto no porta-malas do próprio carro, um Gol branco, e posteriormente abandonado em Catu de Abrantes.
O soldado tinha um relacionamento extraconjugal com a adolescente havia cerca de um ano. "Ela já namorou com o traficante Gordo. Ele mandou ela terminar o relacionamento com Tiago, pois não queria polícia na área dele", disse o major. O soldado recebia mensagens dela, pedindo que ele matasse Gordo. "O traficante falou que mataria a jovem e a família dela, se ela não terminasse o namoro", relatou o oficial. "A mulher de Tiago me informou que ele conheceu essa menina quando eles tiveram uma briga, em janeiro do ano passado. Em dezembro, ela descobriu as mensagens no celular dele", complementou Passos.
Segundo o major, os traficantes apelidados Gil, Carcunda e Macaquito executaram o PM, a mando de Gordo. O Serviço de Inteligência da PM e a 26ª DT (Abrantes) investigam o caso. Mais de 15 pessoas foram ouvidas pelo titular da 26ª DT, Marcos Tebaldi. Cinco não foram liberadas, entre elas a adolescente.
Despedida
O corpo do soldado foi enterrado, na tarde de quinta-feira, no Cemitério Quinta dos Lázaros. Familiares, amigos e colegas emocionaram-se na despedida. A mãe do PM, Elta Joaquina Carvalho Serra, gritava, aos prantos: "o inimigo arrebatou meu menino. Meu filho não era vagabundo. Por que levaram ele?". Já Raimundo Gonçalves, pai do soldado, recebia os cumprimentos dos presentes, mas não conseguia pronunciar uma palavra sequer.
A irmã de Tiago, Rosicleide Serra Gonçalves, 21 anos, lembrou o caminho trilhado pelo irmão. "Ele foi do Exército, fez o concurso da PM e passou. Estava no sangue. Temos orgulho dele", destacou. "Ao mesmo tempo, há o sentimento de revolta. Queremos justiça", disse.
Durante o sepultamento, policiais do Batalhão de Choque cantaram o hino do grupamento, do qual Tiago já foi integrante. "Era um excelente profissional. Não era da banda podre", destacou o major Ricardo Passos.
- Agência A Tarde


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