Prefeitura de Itajuípe foi a 8ª invadida pelo MST na Bahia
Foto: Joa Souza/Agência A Tarde
O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) invadiu a sede da prefeitura de Itajuípe, no sul da Bahia (a 413 km de Salvador). De acordo com Isael Santana, coordenador do movimento na cidade, os cerca de 350 militantes chegaram ao local por volta das 8h desta quarta-feira e tomaram todas as dependências. "Só vamos sair depois que dialogar com o gestor municipal", disse.
Esta foi a oitava prefeitura ocupada pelo movimento no Estado. Ontem pela manhã as cidades de Prado, Itabela, Camamu, Igrapiúna, Queimadas, Rodelas e Santa Brígida tiveram as sedes do Poder Executivo invadidas. De acordo com o movimento, as ocupações fazem parte da "jornada pela educação" que buscam melhorias nas escolas nos assentamentos. "Queremos a construção de uma escola no assentamento Rosa Luxemburgo e melhor qualificação pedagoga, bem como melhoria nas estradas que dão acesso aos assentamentos e acampamentos", afirmou Isael, acrescentando também que até o final desse mês 30 prefeituras são ocupadas pelo movimento.
No início da tarde, uma comissão montada por integrantes do MST e da prefeitura reuniu-se com o prefeito Marcos Dantas (PSD) para discutir a pauta de reivindicações. "Estamos aqui para dialogar, como sempre tivemos. Não precisavam invadir a prefeitura. O que pudermos fazer para atender, será feito e que não puder vou procurar ajuda em outras instancias", disse o prefeito.
Fornecimento de energia
O pedido de ligação de energia feito para o acampamento Cangussu, em Barra do Choça, não será atendido e os seus integrantes pretendem reagir. O líder do MST em Vitória da Conquista, Valter Santos, disse que a comunidade nunca foi informada da negativa, apesar da primeira solicitação ter sido feita em 2007. "Vou me reunir com a comunidade e vamos tomar nossas posições. Com certeza vai haver alguma mobilização."
A resposta veio do Comitê Estadual do Luz Para Todos, responsável por fornecer energia às comunidades rurais. O coordenador do comitê na Bahia, Sérgio Figueiredo, disse que o custo individual das ligações é muito alto, impossibilitando a instalação imediata de energia elétrica no assentamento. "O custo individual de cada ligação é de R$ 26,510 mil, sendo que nossa média é de R$ 6mil. Seriam necessários 85 postes e 10,5 km de fios, porque o assentamento fica muito longe da linha de energia. Para atender cada casa do assentamento, poderíamos deixar de atender quase 50 famílias de outras regiões".
Ele afirmou que esse fato não significa que a população de Cangussu não será beneficiada, o pedido será apenas adiado. Contudo, é certo que o caso não será resolvido este ano, pois os contratos de 2012 são de R$ 10 mil por ligação individual. "Estamos priorizando ligações mais baratas. Eles terão que esperar contratos de valor maior ou então optar por programas de energia alternativa, como placas de energia solar, que no momento estão suspensos."
Na segunda - feira, representantes do movimento foram até a unidade da Coelba de Vitória da Conquista numa tentativa frustrada de invasão pois os ativistas foram recebidos pelo dirigentes do órgão. Em nota encaminhada à imprensa, a Coelba informou que não era responsável pela decisão de levar energia àquela área, por se tratar de zona rural.
- Agência A Tarde









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