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 MG: se chover no fim de semana dará 'zebra', diz comerciante
05 de janeiro de 2012 21h43 atualizado às 22h11

Pelo menos mil moradores de Brumadinho estavam sem água potável e comida nesta quinta-feira. Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

Pelo menos mil moradores de Brumadinho estavam sem água potável e comida nesta quinta-feira
Foto: Ney Rubens/Especial para Terra

As chuvas que atingem Minas Gerais e causaram a elevação do nível do rio Paraopeba deixaram ao menos 2,3 mil desalojadas em Brumadinho, a cerca de 60 km de Belo Horizonte. Segundo a Defesa Civil municipal, boa parte das pessoas teve que ser abrigada em colégios públicos e centros comunitários usados como alojamentos improvisados.

Com o sol e o nível do rio baixando lentamente, os moradores e lojistas aproveitaram esta quinta-feira para tentar limpar suas casas e estabelecimentos, torcendo para que o Paraopeba não volte a subir com a chuva prevista para o próximo final de semana. "Não pode voltar a chover lá pros lados da cabeceira do rio o mesmo tanto dos últimos dias porque aí dá zebra", disse o comerciante Geraldo Andrade do Carmo.

Em uma de suas lojas de construção, a água atingiu quase 2 m de altura. Seu prejuízo só não foi maior porque, lembrando de experiências anteriores, ele guardava a mercadoria mais cara no segundo andar. Há 32 anos instalado no mesmo ponto, ele fica resignado. "Já estamos acostumados. Dá tristeza dizer isso, mas eu acho muito difícil encontrar uma solução para este problema sem nos tirar daqui", disse o lojista.

Segundo a assessoria de comunicação da prefeitura, apesar de este ter sido o maior desastre natural a atingir a cidade desde 1997, quando o Paraopeba invadiu as ruas do município com a mesma violência, não há, até o momento, registro de mortes ou feridos.

Até o meio da tarde desta quinta-feira, boa parte das ruas do centro continuavam debaixo d'água. O nível do rio, contudo, já havia baixado bastante, deixando nos imóveis marcas que indicavam a altura a que a água chegou. Dono de um bar que funciona no Estádio João Gomes da Silva, Geraldino Pereira da Silva sequer sabia a situação em que se encontra seu estabelecimento.

"Vou ter que esperar o nível do rio baixar para saber o tamanho do estrago na estrutura do bar. A mercadoria eu consegui tirar a tempo, mas, mesmo assim, dá um desânimo muito grande. Enquanto não puder reabrir o bar eu não ganho dinheiro e ainda vou ter que gastar o que não tenho para fazer as reformas necessárias", disse Silva enquanto ajudava outros comerciantes a retirarem a lama das ruas do centro.

Segundo o assessor da prefeitura, Leonardo Cruz, o problema das enchentes é histórico e, por isso mesmo, a prefeitura realizou obras preventivas na entrada da cidade, como o desassoreamento e a contenção de um trecho da margem do Paraopeba, na altura da entrada da cidade. "Sem isso, os efeitos de um volume de chuvas tão grande quanto o dos últimos dias e a cheia do rio surgiriam muito mais rapidamente, dando muito menos tempo de reagirmos. Tanto que, desta vez, nós conseguimos retirar todas as famílias de casas em áreas de risco", afirmou. Ele garantiu que a prefeitura alojou e dava assistência a todas as pessoas que precisaram, fornecendo inclusive uma bolsa-aluguel de R$ 400 para os cadastrados pela Secretaria de Ação Social.

Ainda de acordo com Cruz, a prefeitura aguarda que o governo federal aprove um novo projeto municipal, mais amplo, e libere cerca de R$ 61 milhões para a cidade investir em novas obras preventivas. Segundo ele, a previsão é de que volte a chover no final de semana e a prefeitura não permitirá que ninguém volte a ocupar qualquer uma das casas interditadas enquanto o nivel do rio não baixar e os imóveis forem periciados.

Veja o mapa das enchentes no Sudeste

Clique nos pontos destacados no mapa e veja a situação de cada município afetado pela chuva:

Agência Brasil