Mãe e filho pularam do primeiro andar de prédio em chamas
Foto: Reinaldo Marques/Terra
- Ricardo Santos
- Direto de São Paulo
A primeira coisa que a ajudante de cozinha Maria Lucineide Conceição Dantas pensou ao voltar para casa e se deparar com o incêndio foi: "Meus filhos!".
Moradora do prédio atingido pelo fogo na manhã desta quinta-feira no bairro dos Campos Elíseos, centro de São Paulo, ela retornava do trabalho às 9h quando viu as chamas, que consumiram a construção e vários barracos da favela do Moinho, que fica ao lado do edifício onde o fogo teria começado, segundo o Corpo de Bombeiros.
"Eu não quis saber: entrei no meio do fogo, fui trombando com um monte de gente pelos corredores - não dava para respirar nem ver nada por causa da fumaça preta -, peguei meu filho de 13 anos e saí dali", relatou.
Já com o garoto e carregando uma bolsa com documentos, a ajudante de cozinha diz que se jogou, com o filho, do primeiro andar para conseguir se salvar. "Nunca passei por isso em toda a minha vida", disse Maria. "Mas graças a Deus toda a família está bem", completou. Sem moradia, ela deve ir para a casa do irmão, no bairro do Bom Retiro.
Cenário de horror
Já Maria Aparecida Meneses, empregada doméstica de 56 anos, foi obrigada a fugir por outro caminho. Moradora do segundo andar do prédio, ela estava em casa e se preparava para sair quando foi surpreendida pela fumaça que entrava pela porta de casa. "Perguntei aos vizinhos o que estava acontecendo e responderam que alguém devia estar cozinhado. Mas de repente a fumaça aumentou muito", contou.
Ela conta que só teve tempo de pegar documentos e o notebook do filho quando tudo ficou totalmente preto. "Subi para o quarto andar com mais umas 10 pessoas. Lá no alto, foi um horror: a gente corria para um lado, e a fumaça não deixava respirar; corria para o outro e caía um pedaço do chão. Fazia um calor insuportável e os homens gritavam: 'vamos morrer'."
Após um período de espera, que Maria Aparecida calculou em meia hora, ela foi resgatada pelo helicóptero Águia da Polícia Militar. Içada por uma rede de proteção, sentiu-se "grata por sair do inferno" e contou que não teve medo da altura.
Para Maria Aparecida, quem a salvou foram "Deus e os bombeiros, que são homens muito competentes". Já o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, não era tão bem avaliado. Muitos moradores gritavam impropérios contra ele. "Se o Kassab vier pra cá, a gente mata ele", bradou um morador enfurecido.
O prefeito foi até o local e disse que os moradores da área serão encaminhados para abrigos da prefeitura. Muitos deles, no entanto, devem ir para a casa de parentes.
- Terra






























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